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Luciana Rabello – Musicista homenageada

Por Blog Acesso

 

Convidada homenageada da 11ª edição do Festival ChorandoSemParar, a compositora e instrumentista Luciana Rabello é um dos principais nomes da música instrumental brasileira. Autodidata em seu instrumento, o cavaquinho, a musicista iniciou sua carreira aos 15 anos, no conjunto Os Carioquinhas, um dos protagonistas do movimento carioca de revitalização do choro na década de 1970.

O ChorandoSemParar, vencedor da 4ª edição do concurso Meu Evento tem Acesso, acontece em São Carlos, interior de São Paulo, entre os dias 1 e 7 de dezembro, e homenageia, além de Rabello, a compositora Chiquinha Gonzaga. Confira, neste link, a programação do festival e, a seguir, a entrevista concedida por Rabello ao Blog Acesso sobre o choro, mais rico e antigo gênero instrumental brasileiro, e sobre sua participação no Festival ChorandoSemParar.

Blog Acesso – Como vai o choro no Brasil hoje? Houve, nos últimos anos, um crescimento do interesse sobretudo do público mais jovem?

Luciana Rabello – Acho que o choro está vivendo uma fase muito boa, como resultado do trabalho de muitas pessoas sérias e determinadas. Costumo dizer que, assim como aconteceu com a minha geração, nos anos 70, a cada 20 anos uma nova geração descobre o choro e passa a se dedicar ao seu estudo. Isso é bom tanto para essa rapaziada quanto para o choro. A nossa Escola Portátil de Música tem mais de 1000 alunos. Isso seria inimaginável, tempos atrás.

Blog Acesso – Há, atualmente, mais oportunidades para os músicos em busca de formação?

L. R. – A transmissão dessa cultura passou por grandes transformações nos últimos anos. Quando começamos a tocar, esse ensino era informal e acontecia sobretudo nas rodas de choro. No máximo, o aprendiz encontrava um professor particular que ensinasse alguma coisa de choro. Mas, não havia nenhuma didática formal dedicada ao gênero. Hoje, existem algumas escolas de choro no Brasil e no exterior. Temos a Escola Portátil de Música – que criamos aqui no Rio no ano 2000; tem o belíssimo trabalho realizado pelo Marcos Cesar, em Recife; tem a Escola de Choro Raphael Rabello, em Brasília; tem as oficinas de choro do Professor Luís, em Porto Alegre; o trabalho feito pelo pessoal do Conservatório de Tatuí; tem um núcleo muito bacana em Belém do Pará; e tem o primeiro núcleo internacional da Escola Portatil de Música, que já é um sucesso no Conservatório de Música de Rotterdam, na Holanda. Além dessas escolas formais, existem clubes do choro e rodas de choro espalhadas por diversos países, como França, Dinamarca, EUA, Japão, Austrália e até no Egito.

A rapaziada de hoje tem muitas e boas possibilidades de aprendizado. Isso tem ajudado a enriquecer ainda mais essa música, agregando valor e conhecimento, além de ampliar horizontes.

Blog Acesso – Iniciativas como o Festival ChorandoSemParar são importantes para essa difusão cultural?

L. R. – Com certeza. Só lamento que ainda sejam poucas e muito esparsas essas iniciativas e que sempre seja muito sofrida a realização desses empreendimentos para os produtores que se dedicam ao tema. Torço para que esses eventos façam parte da agenda cultural do país todo e que seja compreendido por todos os agentes culturais e órgãos de cultura que é uma obrigação manter essa cultura viva e apoiada.

Blog Acesso – Chiquinha Gonzaga é a homenageada desta edição do ChorandoSemParar. Você acha que, atualmente, na música, ainda há resquícios das barreiras que Chiquinha precisou superar em seu tempo por ser mulher?

L. R. – Lamentavelmente, ainda existe preconceito no Brasil, e não só em relação à mulher. Mas, no caso da música, essas barreiras são mais facilmente transpostas quando o talento é inegável. Sem dúvida, devemos muito ao pioneirismo e coragem da Chiquinha Gonzaga e de outras figuras memoráveis. Não posso dizer que sofri tanto quanto ela com esse problema, mas tive meus desconfortos, já totalmente vencidos. A música fala mais alto e tive a sorte de conviver com pessoas muito especiais e evoluídas, ao longo desses 38 anos de profissão, o que me ajudou muito a não sofrer tanto com isso.

Blog Acesso – Quais suas expectativas em relação à sua participação no Festival ChorandoSemParar deste ano?

L. R. – Estou muito feliz com a homenagem, sobretudo por ela estar acontecendo na edição Chiquinha Gonzaga. Ser lembrada como continuadora do trabalho dessa referência nacional é uma honra. Acredito que o Festival ChorandoSemParar vai ser uma delícia e um encontro inesquecível entre talentos e amigos, tendo Chiquinha como guardiã.

Bernardo Vianna / Blog Acesso

 

 
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2 Respostas para “Luciana Rabello – Musicista homenageada”

  1. [...] Encerramento do Festival ChorandoSemParar com 12h de música instrumental.   Leia também: Luciana Rabello – Musicista homenageada Contribuindo para a cultura local Festival ChorandoSemParar divulga elenco Fátima Catalano – [...]

  2. [...] dessa referência nacional é uma honra”, disse a instrumentista em entrevista ao Blog Acesso. Leia a íntegra da entrevista de Luciana Rabello ao Blog Acesso Rabello participará hoje, às 18h30, da mesa redonda O tempo de Chiquinha também é agora, no [...]

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