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Daniel Rangel – Fórum Mundial de Bienais

Por Blog Acesso

 

São Paulo receberá, entre os dias 26 e 30 de novembro, a segunda edição do Fórum Mundial de Bienais, que reunirá representantes de bienais de todo o globo para compartilhar experiências e debater o papel dessas instituições na contemporaneidade. O evento é promovido pelo Instituto de Cultura Contemporânea – ICCo, pela Fundação Bienal e pela Biennial Foundation e ocorre paralelamente à 31ª Bienal de São Paulo.

Aberto ao público, o fórum recebe inscrições até o dia 15 de novembro e, segundo Daniel Rangel, diretor artístico do ICCo e um dos idealizadores do encontro, restam poucas vagas. “A ideia é promover um clima aberto de discussões, criar uma plataforma de conversa em diálogo com a Bienal de São Paulo e com todas as bienais de modo geral”, conta o gestor em entrevista ao Blog Acesso

Blog Acesso – A primeira edição do fórum aconteceu, em 2012, na Coréia. Como foi o envolvimento com esse processo?

Daniel Rangel – Já há uns três anos tínhamos o projeto de fazer um encontro de bienais, que aconteceria paralelamente à edição passada da Bienal de São Paulo. Quando começamos a fazer contatos para esse projeto, conhecemos a Biennial Foundation, que já articulava bienais europeias. Ao entrar em contato para ver se tinham interesse em participar do evento aqui no Brasil, ficamos sabendo que eles também estavam organizando um fórum de nível global, na Coréia, e que tinham interesse que a gente participasse. Então, na verdade, quando ligamos para convidá-los, acabamos sendo convidados. Era uma iniciativa já bem organizada e conseguimos levar até o fórum na Coréia representantes da Bienal do Mercosul, da Bienal de São Paulo, da Bienal de Havana e também da Trienal de Luanda.

Blog Acesso – Como foi essa primeira experiência de reunião das bienais do mundo?

D. R. – Foi um encontro muito interessante. Foi a primeira vez que os representantes dessas instituições estiveram juntos e começaram a conversar. Esse primeiro encontro foi um grande cartão de visitas, não foi um encontro que discutiu temas, foi um encontro em que as pessoas se apresentaram umas às outras, cada um falou da bienal que representava. Serviu para se fazer esse primeiro contato e, desse primeiro fórum, surgiram alguns desdobramentos, como a formação de uma associação de bienais, alguns outros encontros que aconteceram na Alemanha, no Marrocos. As bienais, de certa forma, se aproximaram e o que tem de ser discutido amadureceu muito. E aí a gente chega nesse segundo momento.

Blog Acesso – A articulação para trazer o fórum para São Paulo?

D. R. – Lá na Coréia eu representava tanto o ICCo quanto a Bienal de São Paulo, fui realmente com o intuito de tentar trazer o segundo fórum para o Brasil. Já fui com essa ideia na cabeça, achando que era importante deslocar esse fórum para cá e, chegando lá, minha suspeita se confirmou, pois a grande maioria das bienais presentes eram ou da Europa ou do Oriente, além das bienais do Mercosul, de Havana, de Luanda e de São Paulo, que foram as únicas exceções. Percebi essa nossa baixa representatividade, que a discussão literalmente não tinha vindo para o lado de cá do globo. Achei fundamental propor isso e a proposta foi muito bem aceita. Havia dois motivos para isso: a própria importância da Bienal de São Paulo, a segunda mais importante do mundo, e justamente esse deslocamento da conversa, que havia sido iniciada na Coréia, para o outro lado do planeta – juntando os dois fóruns a gente consegue articular o globo.

Blog Acesso – Que questões a Bienal de São Paulo levará para o segundo fórum?

D. R. – O Luis Terepins, presidente da Bienal de São Paulo, foi um grande incentivador ao colocar à nossa disposição os cinco curadores da 31ª Bienal para pensarem junto com a gente a programação do fórum. Isso foi brilhante porque assim o fórum faz realmente todo o sentido, ele estará partindo da Bienal de São Paulo como assunto principal. A instituição tem como pontos fortes a relação com o público, o programa educativo, sua história e sua memória e foram esses os assuntos que a gente puxou. Isso, por exemplo, foi diferente na Coréia, a pessoa que pensou a programação do fórum nada tinha a ver com a Bienal de Gwangju. Mas, naquele momento, o objetivo era mesmo o fórum ser um primeiro encontro. O segundo fórum quer aprofundar esse lado dos contatos e dos modelos de bienais para a gente falar sobre assuntos que são transversais a todas as bienais. Memória e pesquisa é um eixo, outro eixo é a questão do educativo e do público, outro o dos artistas e das obras de arte e outro eixo é justamente o modelo de bienal na contemporaneidade.

Blog Acesso – Daí o tema do encontro, "como fazer bienais em tempos contemporâneos"?

D. R. – Veneza criou um modelo de bienal com a ideia de representações nacionais, dos pavilhões de cada país. Muitas bienais seguiram esse modelo, inclusive a de São Paulo durante muito tempo. Depois houve um momento em que a criação de bienais foi quase como um fenômeno de marketing das cidades, algo aliado a uma política de turismo, de tentar chamar a atenção para a cidade. Esse fenômeno ficou muito evidente no primeiro fórum, a China, por exemplo, criou cerca de 15 bienais nos últimos anos. Mas agora isso já perdeu o sentido. Se tantas cidades têm bienais, não é mais uma forma de chamar a atenção para elas. Então, o que é a bienal na contemporaneidade? Essa é a pergunta que os curadores da Bienal de São Paulo propuseram para a gente tentar debater durante o fórum.

 

Bernardo Vianna / Blog Acesso

 

 
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Uma resposta para “Daniel Rangel – Fórum Mundial de Bienais”

  1. Maria Inês Saba disse:

    Bom dia,

    Durante 02 anos tentei patrocínio para a Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Campinas. Projeto sério, idealizado por artistas campineiros de renome internacional.

    Aprovado pela Lei Rouanet.

    Não houve interesse para apoio. Nem do Governo Municipal.

    Mostra de Arte Visual não é um evento / entretenimento como o hip hop, teatro ou circo, quando alegaram que a visibilidade é pouca.

    Lamentamos muito, estar num país pouco culto sem formação de público para a Arte.

    Abrs

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