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Economia Criativa, Notícias_09.12

Arte contemporânea como protagonista do dese...

Por Blog Acesso

 

O município de Brumadinho, há 60 km de Belo Horizonte e com pouco menos de 34 mil habitantes, tornou-se, nos últimos anos, destino procurado por turistas brasileiros e de outros países por conta de uma atração singular, um parque-museu que reúne características de jardim botânico e um dos principais acervos de arte contemporânea do país. No Instituto Inhotim, as obras ficam expostas ao ar livre ou em pavilhões dispostos pelos cerca de 100 hectares de jardins que reúnem acervo botânico com espécies de todo o mundo. Aberto ao público em 2006, o Inhotim recebeu, em 2008, cerca de 96 mil visitantes, número que, em 2010, chegou a cerca de 200 mil. Este ano, apenas durante o mês de julho, 46.792 pessoas foram ao instituto, recorde de visitação que representou aumento de 48% em relação ao ano anterior.

Desde a abertura do Inhotim para o público, a cadeia do turismo passou a concentrar 12% dos postos de trabalho de Brumadinho, cidade cuja principal atividade econômica era a mineração. O dado é apontado na pesquisa realizada pela economista Diomira Faria para sua tese de doutorado, Análisis de la capacidad del turismo en el desarrollo económico regional: el caso de Inhotim y Brumadinho, desenvolvida em regime de cotutela entre a Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG e a Universidade de Alicante.

Segundo o estudo, a maior parte do benefício econômico gerado fica na capital, onde estão concentrados os serviços que dão suporte ao turismo nas pequenas cidades de seu entorno. No entanto, ao entrevistar 841 famílias de Brumadinho, a pesquisadora descobriu que a maioria da população reconhece o desenvolvimento local com geração de empregos, embelezamento da cidade, fortalecimento da identidade local e desenvolvimento cultural. Há, por outro lado, queixas por conta do congestionamento de veículos em feriados e finais de semana e pelo aumento dos preços dos terrenos na região.

Dentro do Instituto Inhotim, o fortalecimento da cultura local e o desenvolvimento do turismo são responsabilidade da Diretoria de Inclusão e Cidadania, criada em 2007 para ampliar a articulação entre poder público, organizações sociais, empresariado e demais atores sociais locais. “O Instituto Inhotim é definido como uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público e acredita na importância das parcerias como elemento central para a potencialização do alcance das ações programáticas que desenvolve. Nesse sentido, estabelece parcerias tanto com o poder público – em especial, com as prefeituras – quanto com a iniciativa privada, por meio da captação de recursos”, explicou Rosalba Lopes, diretora de Inclusão e Cidadania do instituto.

De acordo com a diretora, a preocupação de ampliar o acesso do público aos acervos artístico e botânico do Inhotim é elemento central de diversas ações desenvolvidas pelo instituto. “Como exemplo, podemos lembrar os programas educativos, que anualmente recebem mais de 50 mil estudantes das redes pública e privada, e o Programa Inhotim para Todos, que, desde 2011, atendeu cerca de 16.800 pessoas”, disse. Para Lopes, o Inhotim pode ser apontado como referência de desenvolvimento social e econômico por meio da cultura.

Música, memória e artesanato

“O instituto desenvolve uma gama variada de ações que visam promover o desenvolvimento social por meio da cultura”, disse a diretora, que destacou o trabalho desenvolvido junto aos artesãos da região do Médio Vale do Paraopeba para a formalização dos grupos e a qualificação do trabalho e de sua comercialização. O projeto Fortalecimento da produção comunitária para o turismo em Brumadinho foi realizado entre 2009 e 2010, em parceria com o SEBRAE. A partir de um mapeamento dos artesãos da região, foi feito um diagnóstico sobre a identidade do artesanato e suas formas de produção e comercialização, o que proporcionou a capacitação de 44 artesãos e a formação do Grupo Descoberta. No grupo, os artesãos tiveram acesso a um rico acervo de arte contemporânea, ampliando seu repertório e incentivando a reflexão sobre o lugar do artesanato no mundo atual.

Apostando nas oportunidades que a Copa do Mundo de 2014 poderá trazer, o Inhotim deu início a uma nova parceria com o SEBRAE para a capacitação dos artesãos da Rede de Artesanato Vale do Paraopeba. “Atualmente, os contemplados são os artesãos da cidade de Rio Manso e de Marinhos, uma comunidade quilombola de Brumadinho. A parceria firmada contemplará aproximadamente 35 artesãos, que buscam valorizar o artesanato local por meio da identificação cultural. O objetivo deste projeto é desenvolver o trabalho em equipe, aprimorar o produto de cada um e a sua comercialização. Ao final do programa, haverá uma exposição e venda dos produtos para a comunidade durante a mostra de artesanato que será realizada, no mês de dezembro, no Instituto Inhotim”, explicou.

Outro importante eixo de atuação do Inhotim se dá na área da música. Em parceria com bandas, grupos musicais, músicos independentes, associações e estabelecimentos culturais, os projetos de educação musical do instituto já atenderam cerca de 600 crianças e jovens da rede municipal de ensino, além de manter três corais. “A ação programática Música, Arte e Cultura no Vale oferece à comunidade local, sem processo seletivo, participação nos Corais Inhotim Encanto infantil, juvenil e adulto. Paralelamente, garante apoio às bandas de música tradicionalmente existentes na região e, por meio dessas bandas, oferece iniciação musical aos interessados”, contou Lopes. Além disso, a Escola de Cordas Inhotim ofereceu, este ano, 90 vagas para alunos das escolas públicas de Brumadinho.

Em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais – Fapemig e com a UFMG, outro trabalho desenvolvido pelo Inhotim é a construção do Centro Inhotim de Memória e Patrimônio – CIMP, cujo objetivo é a recuperação da história e da memória locais. “A ação compreende que esse processo de recuperação e disponibilização de acervo relativo ao patrimônio histórico, cultural e ambiental pode se revelar um importante instrumento de valorização da identidade dos sujeitos e, nesta medida, um importante instrumento para a promoção da cidadania”, disse Lopes.

Criado em 2005, o Laboratório Inhotim promove encontros entre jovens da rede pública de ensino de Brumadinho e arte educadores do Inhotim para a realização de pesquisas e atividades a partir do acervo da instituição e do repertório cultural regional. Mais de 130 alunos já foram beneficiados e, atualmente, 30 participam do projeto. Oito destes jovens estarão, em setembro, em Londres para uma agenda de encontros e de pesquisa, resultado de parceria do Inhotim com a Tate Modern.

Um passo importante para a parceria foi a transferência da metodologia do Laboratório Inhotim para o programa Turbinegeneration da instituição inglesa.  Desde o início de 2012, participantes do Laboratório Inhotim e bolsistas de Iniciação Científica do instituto trocaram informações com trinta jovens ingleses por meio da internet e por cartas e o resultado poderá ser visto durante exposição na conferência Worlds Together, na Tate Modern.

Bernardo Vianna / blog Acesso

 

 
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2 Respostas para “Arte contemporânea como protagonista do desenvolvimento regional”

  1. [...] “Ao entrevistar 841 famílias de Brumadinho, a pesquisadora descobriu que a maioria da população reconhece o desenvolvimento local com geração de empregos, embelezamento da cidade, fortalecimento da identidade local e desenvolvimento cultural. Há, por outro lado, queixas por conta do congestionamento de veículos em feriados e finais de semana e pelo aumento dos preços dos terrenos na região”, diz o Blog Acesso (leia mais aqui: http://blogacesso.com.br/?p=5406) [...]

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