A Companhia Cinematográfica Vera Cruz foi responsável por uma das principais iniciativas de promoção da indústria cinematográfica na história do cinema brasileiro. Seus estúdios, ainda de pé na cidade de São Bernardo do Campo, Estado de São Paulo, seguiam o modelo das grandes produções dos estúdios norte-americanos, contavam com equipamento moderno e profissionais eram trazidos de outros países. “Produção brasileira de padrão internacional” era o lema da companhia fundada em 1949. Também na Vera Cruz surgiu uma das mais emblemáticas personalidades do cinema nacional, Amácio Mazzaropi, cujo principal personagem, um caipira bem brasileiro, protagonizou filmes de grande bilheteria até a década de 1970.
Atualmente, uma réplica de um dos estúdios da Vera Cruz pode ser visitada em São Bernardo do Campo, mantida no mesmo espaço que abrigou a companhia cinematográfica. Tombados como patrimônio municipal e em processo de tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan, os estúdios recebem feiras de diferentes segmentos de negócios, forma de garantir sua manutenção. O plano para o futuro, no entanto, é de revitalização e resgate da vocação do espaço para a produção audiovisual nacional.
“A gente vem em um processo de estudo, pois tínhamos consciência da mudança que ocorreu com a nova lei que determina os 30% de conteúdo nacional em qualquer veículo de comunicação audiovisual. Perante isso, nós conseguimos fechar agora um planejamento de revitalização dos estúdios”, contou Osvaldo de Oliveira Neto, secretário de Cultura de São Bernardo do Campo.
A revitalização dos estúdios começa com a implantação de um centro de formação em audiovisual, provisoriamente instalado no Centro de Formação para Professores – Cenforpe enquanto é definido o modelo de negócio que deverá gerir o espaço dos estúdios. “Estamos finalizando para os próximos 30 dias o modelo de negócio para a gestão do complexo audiovisual, aí inclusas tanto a gestão das ações e atividades quanto a gestão do próprio espaço físico”, explicou o secretário de Cultura.
O atual desenho do modelo prevê uma escola de formação audiovisual, uma incubadora de empresas e estúdios adaptados para novas mídias e para o trabalho em toda a cadeia do audiovisual. “Queremos que a cidade possa oferecer um projeto sustentável no audiovisual e que ela ofereça profissionais e serviços desde a pré-produção até a finalização”, contou Oliveira. “O objetivo da escola do núcleo de formação é ter mão de obra técnica e criativa para toda a cadeia do audiovisual”, acrescentou.
Investimentos em formação de profissionais do audiovisual
A implantação da escola de audiovisual será feita em parceria com o Ministério da Cultura – MinC, através da Secretaria de Audiovisual. “Nós estamos nesse momento com um edital para a contratação dos professores e já deve estar disponível nos próximos dias a inscrição para os alunos”, disse Oliveira. Os cursos serão gratuitos, com duração de 18 meses, para alunos a partir de 16 anos e equivalem a formação técnica.
“O que nós sentimos é que, hoje, temos várias escolas de cinema no país, mas que formam, praticamente, o diretor. O aluno passa por algumas experiências técnicas, mas a escola forma o diretor, e nós temos uma deficiência na mão de obra especializada. Mas não só na parte técnica, queremos que os alunos sejam criativos também, não queremos formar robozinhos que manipulam softwares tão somente”, disse Oliveira.
Para não perder o investimento em formação, o projeto de revitalização dos estúdios prevê ainda a criação de uma incubadora de empresas voltadas para o setor audiovisual. “Através de uma parceria com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, nós vamos ter também uma incubadora de empresas, para estimular que quem saia do curso fique na própria cidade, já produzindo”, disse Oliveira.
Recentemente, a prefeitura de são Bernardo comprou o antigo acervo da Vera Cruz, que está sendo recuperado e deverá estar disponível para a população. Perguntado se a companhia deixou um legado de vocação cinematográfica para a cidade, Oliveira é categórico: “eu não tenho dúvida disso! Tanto é que a cidade sente muito ter ficado tanto tempo sem um projeto para os estúdios. E toda vez que se fala ‘foi rodado em São Bernardo’, ‘esse ano são cem anos do Mazzaropi’, isso tem uma identificação com a Vera Cruz. O estúdio está no sentimento do sãobernardense e no inconsciente coletivo do Brasil”.
Bernardo Vianna / blog Acesso
Tags: cinema, produção cultural








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