29

Economia Criativa, Entrevistas, Notícias_03.12

Plano Brasil Criativo será entregue à presi...

Por Blog Acesso

 

Foto: MinCSegundo a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento – UNCTAD, a produção e o comércio de produtos e serviços do setor criativo poderá fazer crescer a economia de países em desenvolvimento, gerando empregos e incentivando a inovação. No Brasil, o processo de criação de políticas públicas capazes de atrair investidores e estimular novos negócios está sendo estruturado pela Secretaria da Economia Criativa – SEC, do Ministério da Cultura – MinC.

O blog Acesso entrevistou a secretária da Economia Criativa, Cláudia Leitão, que deverá entregar, na próxima sexta-feira, o Plano Brasil Criativo à presidente Dilma Roussef.

Acesso – Em que estágio está a estruturação do Plano Brasil Criativo e quais suas diretrizes principais?

Cláudia Leitão – O Plano Brasil Criativo está sendo finalizado e será entregue à presidenta Dilma no próximos dia 30 de março. O Plano simboliza a vontade política do Poder Executivo de considerar a cultura como eixo estratégico de desenvolvimento, assim como a diversidade cultural, a inclusão social, a inovação e a sustentabilidade como seus princípios fundamentais. As diretrizes do Plano são as seguintes: Desenvolvimento Local e Regional, Construção e Institucionalização de Marcos Legais, Fomento a Empreendimentos Criativos e Inovadores e Formação para competências Criativas e Inovadoras.

Acesso – Como se dá o diálogo da Secretaria da Economia Criativa com os demais Ministérios que já trabalham com assuntos relacionados à economia criativa?

C. L. – O Plano Brasil Criativo vem potencializar políticas e programas de 10 ministérios que trabalham na formulação de políticas públicas, seja para os segmentos criativos (Comunicações; Indústria e Comércio Exterior; Ciência, Tecnologia e Inovação; Turismo; Esporte), seja no enfrentamento dos desafios para o desenvolvimento da economia criativa no país (Educação; Desenvolvimento Social e Combate à Fome; Trabalho e Emprego; Integração Nacional; Cidades). Vale ressaltar que a Casa Civil e os ministérios da Fazenda e do Planejamento ocupam lugar estratégico na estruturação e implementação do Plano.

Acesso – De que forma o plano pretende apoiar o micro e pequeno empreendedor do setor criativo?

C. L. – A economia criativa no Brasil é por natureza uma economia do micro e do pequeno empreendedor. Por isso, na Missão da Secretaria da Economia Criativa está definido que ela deve conduzir a formulação, a implementação e o monitoramento de políticas públicas para o desenvolvimento local e regional, priorizando o apoio e o fomento aos profissionais e aos micro e pequenos empreendimentos criativos brasileiros.

Acesso – Existe, então, uma diretriz específica desse governo para o apoio a micro e pequenos empreendedores?

C. L. – Como se vê, as política públicas que estão sendo formuladas no MinC são voltadas para esses segmentos que, em geral, trabalham na informalidade, sem uma formação adequada para a gestão, sem linhas de crédito, sem marcos legais para sua atividade, sem informações para suas tomadas de decisão e, ainda, sem infraestrutura adequada à produção, distribuição e consumo dos bens e serviços criativos. São esses desafios que precisam ser enfrentados a partir da formulação de políticas públicas de fomento à criatividade brasileira, uma criatividade que deve ser transformada em inovação, em riqueza cultural e, sobretudo, em qualidade de vida para os brasileiros.

Acesso – Na sua opinião, qual a contribuição do setor da economia criativa para o desenvolvimento do País?

C. L. – Segundo estimativas da UNESCO, o comércio internacional em bens e serviços criativos cresceu, em média, 5,2% ao ano entre 1994 (US$ 39 bilhões) e 2002 (US$ 59 bilhões). No entanto, esse crescimento continua concentrado nos países desenvolvidos, responsáveis por mais de 50% das exportações e importações mundiais. Ao mesmo tempo, pesquisas da Organização Internacional do Trabalho apontam para uma participação de 7% desses produtos no PIB mundial, com previsões de crescimento anual que giram em torno de 10% a 20%. Esses novos dados vêm provocando revisões importantes nos significados de desenvolvimento.

Acesso – Na prática, o que vem sendo feito nesse sentido? E como esses dados impactam os países em desenvolvimento?

C. L. – Começa-se a se incentivar comunidades, tomadores de decisão públicos e privados, ONGs e outros agentes territoriais a construir uma ação coletiva a partir de suas próprias capacidades e potenciais locais. Nas últimas décadas, cresce o espaço para a discussão de novas teorias sobre o desenvolvimento, em função do próprio fracasso de um modelo cujos resultados somente reforçaram o abismo entre ricos e pobres, especialmente, nos países periféricos.

Acesso – Com relação ao Brasil, que mudanças a adoção de um modelo de economia criativa pode acarretar?

C. L. – A economia criativa simboliza para o Estado brasileiro a possibilidade da formulação de políticas públicas para um novo desenvolvimento, desenvolvimento este fundado na inclusão e na sustentabilidade, tendo como maior insumo a diversidade cultural de sua gente. A nova economia se opõe radicalmente à velha economia "fordista", pois se caracteriza pela abundância (dos recursos culturais) e não pela escassez (dos recursos naturais); pela sustentabilidade social e não pela exploração de recursos humanos; pela inclusão produtiva e não pela marginalização de indivíduos e comunidades. Enquanto dinâmica social, cultural e econômica, ela abrange um grande espectro de setores que vão das linguagens artísticas ou das artesanais populares às tecnologias da informação, ao design, à arquitetura e à moda, qualificando, ainda, as políticas públicas territoriais (bairros, cidades, consórcios municipais), graças aos avanços das ciências e das novas tecnologias. Além do mais, pelas características já citadas, a economia criativa vem demonstrando sua capacidade de construir novas solidariedades, éticas e estéticas, tanto em comunidades tradicionais quanto em coletivos e redes. Por isso, o Plano Brasil Criativo possui absoluta aderência ao Governo Dilma Rousseff.

Bernardo Vianna / blog Acesso

 

 
1 Star2 Stars3 Stars4 Stars5 Stars
Loading ... Loading ...
Comentários > 3 Compartilhe
 

3 Respostas para “Plano Brasil Criativo será entregue à presidente Dilma nesta sexta”

  1. [...] criativos distribuídos por todo Brasil e esperamos contribuir fortemente com a construção de uma economia criativa sustentável e inclusiva do ponto de vista econômico e [...]

  2. [...] criativa foi reconhecida como tal pelo Brasil apenas no último ano, com a estruturação da Secretaria da Economia Criativa no [...]

  3. [...] Embora internacionalmente considerado como setor estratégico para o desenvolvimento, a economia criativa foi reconhecida como tal pelo Brasil apenas no último ano, com a estruturação da Secretaria da Economia Criativa no MinC. [...]

Deixe uma resposta