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Economia Criativa, Notícias_03.12

Desenvolvimento da economia criativa requer p...

Por Blog Acesso

 

Segundo o Relatório da Economia Criativa 2010, produzido pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento – UNCTAD, as exportações de produtos e serviços relacionados aos setores criativos mais do que dobraram entre 2002 e 2008. O valor total das exportações atingiu 592 bilhões de dólares em 2008 e, ao longo dos seis anos pesquisados, a taxa média de crescimento foi de 14%.

Os dados correspondem aos setores cuja produção tem como principal característica o ato criativo, como é o caso da música, do design, da moda, da produção audiovisual, da arquitetura e da criação de softwares. Como a dimensão simbólica é o fator central da formação do preço, a economia criativa é capaz de gerar riqueza tanto econômica quanto cultural.

O Relatório da Economia Criativa 2010 aponta que a indústria criativa apresenta grande potencial para países em desenvolvimento que estejam procurando diversificar sua economia e participar de um dos mais dinâmicos setores do comércio mundial. Entre os Países do Sul, a economia criativa movimentou, em 2008, 176 bilhões de dólares em exportações, ou 43% do total do comércio mundial relacionado à indústria criativa.

Ainda de acordo com a UNCTAD, se adequadamente apoiada pelos governos e por parcerias entre os setores público e privado, a produção e o comércio de produtos e serviços do setor criativo poderá fazer crescer a economia de países em desenvolvimento, gerando empregos e incentivando a inovação. Para isso, é preciso criar quadros institucionais e marcos legais capazes de atrair investidores, tecnologia e novos negócios.

No Brasil, tal processo passou a ser organizado pela Secretaria da Economia Criativa – SEC, do Ministério da Cultura – MinC. O ponto de partida da criação da SEC foi o Plano Nacional de Cultura – PNC, instituído pela Lei 12.243 de 02/12/2010, cuja Estratégia 4 diz respeito à ampliação da participação da cultura no desenvolvimento socioeconômico de forma sustentável. Entre as principais metas da SEC estão o apoio ao micro e pequeno empreendedor, por meio de linhas de crédito especiais; o fomento aos setores criativos; e a institucionalização de marcos legais que facilitem a produção e a distribuição de produtos criativos.

Assita ao vídeo disponibilizado pela SEC, no qual a secretária Cláudia Leitão fala sobre as metas da Secretaria.

Para Alessandra Meleiro, presidente do Instituto Iniciativa Cultural – IIC, professora do Curso de Produção Cultural da Universidade Federal Fluminense – UFF e idealizadora do Seminário Internacional Economia Criativa, o Brasil ainda está atrasado em termos de definições de políticas públicas para a economia criativa. “Embora seja uma forma relativamente recente de classificar e analisar atividades que vão do desenvolvimento de games ao artesanato regional, considero tardia a priorização do tema pelo governo brasileiro, que ainda necessita de políticas públicas adequadas ao seu desenvolvimento”, avalia Meleiro.

De acordo com a presidente do IIC, mais de 60 países já realizam procedimentos sistemáticos de mapeamento do seu setor criativo. Meleiro conta que países como os Estados Unidos, as principais economias europeias – em especial o Reino Unido – e a Austrália são os que se encontram em um estágio mais amadurecido. Mesmo assim, tais países ainda esperam expandir sua indústria criativa, inserindo o tema estrategicamente com papel de destaque em suas agendas econômicas.

“Em 2011, assistimos a uma grande paralisia dos programas essenciais que estavam em andamento na gestão anterior. E, ao final do ano, fomos introduzidos a políticas e diretrizes ousadas – principalmente por requererem reestruturação da legislação trabalhista e tributária”, afirma Meleiro. Para a presidente do IIC, embora o Brasil consiga ter participação expressiva em áreas específicas, há um vasto território inexplorado de possibilidades, que devem ser objeto de políticas públicas concebidas e implementadas num ambiente de cooperação internacional, especialmente a chamada Cooperação Sul-Sul.

Um avanço obtido pela implantação da SEC, segundo Alessandra Meleiro, é o foco no incentivo do empreendedorismo criativo e a sensibilização da sociedade sobre a importância do setor cultural e criativo na redefinição de estratégias para o Brasil diversificar sua economia. A presidente do ICC considera correta a definição de linhas de ação para atuar no financiamento de negócios criativos. “Atualmente, o governo federal dispõe apenas de instrumentos para apoiar os negócios tradicionais ou financiamentos para aqueles segmentos que sejam indutores de desenvolvimento urbano, geração de emprego e renda, como o editorial, fonográfico, audiovisual, espetáculos e restauração de patrimônios culturais. No entanto, um estudo da FIRJAN aponta que, no Brasil, 87% das empresas criativas têm menos de 20 empregados; entre as que realizam atividades relacionadas ou de apoio, esse porcentual ultrapassa os 90%. Ou seja: um grande grupo que, devido ao tamanho ou à impossibilidade de apresentar as garantias tradicionalmente exigidas pelos bancos, sofre em busca de crédito”, explica.

Segundo Meleiro, uma dificuldade encontrada pelo setor da economia criativa para ganhar autonomia é a falta de dados e de metodologias que possam ser comparadas, permitindo melhor mensuração de desempenho. “É fundamental que o governo brasileiro – juntamente com acadêmicos e pesquisadores independentes – faça um esforço de unificação e aprimoramento dos conceitos já existentes pelo mundo, como o da UNCTAD, o da FIRJAN, aquele cunhado pela Inglaterra, dentre outros”, disse. “A definição de políticas públicas requer conhecimento e mapeamento dos principais polos de economia criativa – e ainda carecemos de estudos, excetuando-se os de territórios como Rio de Janeiro e São Paulo”, conclui a presidente do ICC.

Participação do setor criativo na economia brasileira

De acordo com estudo da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro – FIRJAN, considerando as atividades relacionadas e de apoio, o peso da cadeia da indústria criativa no PIB brasileiro pode chegar a 18,2%, o que equivale a R$ 667 bilhões.

A renda média dos trabalhadores do núcleo da indústria criativa passou de R$ 1.663, em 2006, para R$ 2.296 em 2010, o equivalente a um crescimento real 13%, maior do que o crescimento da renda média dos trabalhadores brasileiros, que foi de 11%.

Durante o mesmo período, o número de trabalhadores nas atividades do núcleo da indústria criativa cresceu de 599 mil para 771 mil. Tal crescimento, da ordem de 8,5% ao ano, foi maior que o crescimento do mercado de trabalho brasileiro em geral, que cresceu 5,8% ao ano. Os empregados da indústria criativa representavam, em 2010, 1,75% do total dos trabalhadores brasileiros.

Bernardo Vianna / blog Acesso

 

 
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4 Respostas para “Desenvolvimento da economia criativa requer políticas públicas para incentivar novos negócios”

  1. [...] Segundo a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento – UNCTAD, a produção e o comércio de produtos e serviços do setor criativo poderá fazer crescer a economia de países em desenvolvimento, gerando empregos e incentivando a inovação. No Brasil, o processo de criação de políticas públicas capazes de atrair investidores e estimular novos negócios está sendo estruturado pela Secretaria da Economia Criativa – SEC, do Ministério da Cultura – MinC. [...]

  2. [...] internacionalmente considerado como setor estratégico para o desenvolvimento, a economia criativa foi reconhecida como tal pelo Brasil apenas no último ano, com a [...]

  3. [...] internacionalmente considerado como setor estratégico para o desenvolvimento, a economia criativa foi reconhecida como tal pelo Brasil apenas no último ano, com a [...]

  4. [...] Confira, neste link, matéria do Acesso sobre o desempenho da economia criativa no mundo. [...]

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