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Economia Criativa, Notícias_01.12

Plataforma web incentiva economia da cultura

Por Blog Acesso

 

Mesmo com projetos aprovados em leis de incentivo fiscal, como a Lei Rouanet e a Lei do Audiovisual, que permitem a captação de recursos, tendo como contrapartida para os investidores descontos no imposto de renda, produtores deparam-se com um gargalo no momento de encontrar empresas para investir em seus projetos.

Tainan Franco produz projetos culturais no Estado de São Paulo por meio de leis de incentivo fiscal desde 2005. Segundo ela, grande parte dos projetos propostos para aprovação pela Lei Rouanet são aprovados. “Este nem é o grande desafio de um produtor cultural; a parte de captação é considerada vital para a realização dos projetos”, diz. Tainan observa ainda que as empresas, em geral, preferem investir em projetos de grande visibilidade. “Existe essa prática do marketing cultural, o que dificulta a captação de projetos de artistas regionais ou de menor projeção”, comenta a produtora.

No interior do Paraná, a cidade de Maringá conseguiu elevar a quantia captada para projetos aprovados pela Lei Rouanet de R$ 539.852, em 2009, para R$ 2.313.029, em 2011. Entre os motivos do grande crescimento da captação por meio da lei de incentivo está o Captarte – Programa de Captação de Recursos para Projetos Culturais, parceria entre o Instituto Museu Memória e Vida – IMMV e o Sindicato dos Contabilistas de Maringá – Sincontábil.

CaptarteO programa disponibilizou uma ferramenta web, vinculada a um portal cultural, para promover a economia da cultura na região norte do Paraná. Por meio do Captarte, empresas, proponentes de projetos culturais e escritórios contábeis compõem uma rede voltada para o incentivo e o financiamento da economia da cultura na região metropolitana de Maringá. “Desenvolvemos em Maringá uma tecnologia social envolvendo agentes culturais, empresários e contabilistas. Estes últimos não como captadores, mas como efetivos trabalhadores da cultura. Convocamos os escritórios de contabilidade a adotar a prática de oferecer a renúncia fiscal como uma ação de responsabilidade social com a cidade”, explica Marcelo Seixas, consultor do IMMV e um dos coordenadores do Captarte.

O programa promove minicursos e palestras tanto para os agentes culturais quanto para os contabilistas e oferece apoio técnico às empresas. Marcelo Seixas conta que o Captarte visa superar as dificuldades que as cidades médias e pequenas do interior do país encontram para ter acesso aos instrumentos da Lei Rouanet. “Cidades do interior estão inseridas em contexto bem diferente. Parte bastante significativa do setor agrícola é cooperativado e o ‘ato cooperativo’ não é tributado no imposto de renda. Assim, a riqueza produzida pelas grandes cooperativas de nossa região não se traduz em mecanismos como o da Lei Rouanet”, explica Seixas.

O Captarte busca dar suporte a arranjos locais que mobilizem empresários, instituições culturais, produtores e artistas, apostando na responsabilidade social em detrimento do marketing cultural: “essa lógica não nos interessa, pois não temos muitas grandes empresas”, afirma Marcelo Seixas. Segundo o coordenador, o programa é voltado para empresas que poderão investir valores em torno de R$ 800 reais por ano. “Com uma participação assim, mesmo que para a publicação de um livro, se aplicássemos a lógica do marketing cultural teríamos que produzir um anexo só com as logomarcas dos patrocinadores”, explica.

A ideia, embutida no conceito de responsabilidade social cultural, é fazer com que os recursos investidos em projetos culturais permaneçam na cidade, promovendo assim a economia local, já que, de outra forma, retornariam à União como impostos. “Temos uma sociedade civil muito organizada, participativa e bastante comprometida com o desenvolvimento. Também a maioria dos recursos vem de destinações de pessoa física, o que comprova o comprometimento da sociedade local”, completa Seixas.

O Captarte recebe também propostas de projetos culturais de produtores de outros Estados, que são avaliadas por comissão composta por representantes de toda a sociedade civil local. Dessa forma, o programa permite que projetos nacionais, que não chegariam até Maringá por falta de recursos, possam ser realizados na cidade. É o caso, por exemplo, do Festival Internacional de Cinema Infantil – FICI, que ocorre em 10 cidades do país e cuja realização em Maringá está sendo negociada.

Acesso pergunta: Na sua cidade existem programas de incentivo à economia da cultura?

Bernardo Vianna / blog Acesso

 

 
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3 Respostas para “Plataforma web busca incentivar economia da cultura”

  1. Edson Pereira disse:

    O Instituto Museu Memória e Vida Rural de Jussara (Museu Immv) ficou em 9º lugar no Prêmio de Economia Criativa, concedido pelo Ministério da Cultura a 150 iniciativas de todo o Brasil. premiados pelo Captarte – Programa de Captação de Recursos para Projetos Culturais.

  2. [...] comunidades. Blog Acesso – Vocês também promovem a plataforma Captarte [conheça a iniciativa nesta matéria do Blog Acesso]. Em que estágio ela se encontra? E. P. – Estamos próximos de lançar nossa terceira versão. [...]

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