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O grafite vai à escola

Por Blog Acesso

 

Arte de Daniel MelimEle fez o curso técnico de mecânica, foi metalúrgico, e trabalhou em “firma”, como costuma dizer. Filho de pai metalúrgico e mãe professora, com raízes em São Bernardo do Campo, Daniel Melim tinha tudo para manter a tradição local e seguir os passos do pai. Tudo, menos vocação. Melim é artista, com pós-graduação nas ruas e na academia. Começou pichando, mas logo chegou à conclusão de que a prática limitava sua expressão artística. Dos tempos da pichação, manteve apenas o material (latinhas de tinta), o suporte (muros da cidade) e a ousadia. Onze anos depois, Melim se tornou uma das referências da arte urbana contemporânea, comprometido também com o estímulo de jovens que, como ele, buscam expressar suas visões de mundo.

Em tom calmo e firme, Daniel Melim começou o dia (quarta-feira, 27 de setembro), contando um pouco de sua experiência com o grafite para uma plateia formada por adolescentes do 8º ano da Escola Estadual Emygdio de Barros, no Butantã, em São Paulo. “Antes de começar a grafitar, eu reclamava que não acontecia nada na minha cidade. A experiência com o grafite mostrou que se a gente junta a galera e se organiza, consegue fazer o que quer. Trabalhar em grupo é algo que tem tudo a ver com o grafite”, iniciou um Melim tranquilo, acostumado a dar aulas para adolescentes no Projeto Jardim Limpão, em São Bernardo.

A palestra fez parte do Projeto Choque Cultural – Trazendo a linguagem jovem para dentro da escola, uma iniciativa da Galeria Choque Cultural, com o patrocínio do Instituto Votorantim e o apoio da Diretoria de Ensino da Região Centro-oeste da cidade de São Paulo. O encontro dos alunos com o artista e a intervenção artística na escola fechou o ciclo do projeto, que teve início com oficinas sobre arte contemporânea, voltadas para a atualização do professor de Artes do Ensino Fundamental.

Durante a conversa, o artista frisou para os meninos o fato de ter percebido que a pichação limitava sua necessidade de expressão. “Comecei com a pichação e, depois de viver situações desagradáveis nas ruas, vi que aquilo não era legal. Foi aí que passei a usar as latas de spray apenas para pintar. O grafite me proporcionou atitude”, contou Daniel.

Segundo a professora de Artes, Patrícia Yamamoto, a pichação e a depredação são alguns dos problemas da E. E. Emygdio de Barros. “Aqui na escola, a cultura da pichação é muito forte. Trazer o artista para contar sua experiência e mostrar a diferença entre pichar e grafitar foi muito importante. Acho que a iniciativa tem mais impacto do que levar o aluno à galeria, porque permite um contato mais estreito e a experimentação da arte. O grafite está nas ruas da cidade e dialoga com o jovem. Gostaria de ver a escola bonita, repleta de desenhos feitos pelos alunos. Não sei se a atitude vai mudar depois disso, mas é muito bom poder mostrar outros caminhos”, desabafou Yamamoto.

Após a palestra, Daniel Melim demonstrou a técnica do grafite e orientou os adolescentes, que experimentaram a arte nos muros da escola. Para Caroline Santos, aluna do 8º ano, o encontro foi de grande relevância. “Também quero trabalhar com arte e achei a iniciativa muito bacana. Uma oportunidade que a escola trouxe para quem tem talento, mas ainda não tem segurança. Nunca tinha grafitado e muito menos conhecido um artista pessoalmente. Agora, quero buscar mais informações sobre o grafite”, contou a garota, enquanto finalizava um desenho no muro, sob o olhar da turma.

Se para Caroline o projeto possibilitou a abertura de novos horizontes, para o artista, a intervenção na escola propiciou o envolvimento com a arte-educação e a divulgação de seu trabalho. “Esse é um ótimo jeito de apresentar o meu trabalho. Já faço algo parecido no bairro onde nasci, o Jardim Limpão, desde 2006, mas esta foi uma nova oportunidade. Foi muito bom falar sobre o grafite e mostrar que o local faz parte da mensagem. Sempre tentei levar a rua para a tela e a tela para rua; busco absorver a arquitetura e o cotidiano das ruas de uma forma e devolver de outra”, concluiu Daniel Melim.

Priscila Fernandes / blog Acesso

 

Acesso pergunta: O que você acha da experiência de levar o artista ao colégio?

 

 
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5 Respostas para “O grafite vai à escola”

  1. Achei interessante matéria “O Grafite vai à escola” e considero de grande importância que o aluno tenha contato direto com o artista, quando ele expõe a própria experiência envolve o aluno de maneira mais completa e ainda quebra a imagem do artista já falecido como ocorre com os clássicos. Experimentei um momento com o grafite em minha turma de 9o ano em 2007, o resultado pode ser conferido no blog que eles criaram para o projeto: arte-na-rua.blogspot.com

    Abraço a todos!

  2. Wagner Cafagni Borja disse:

    Acho importantíssimo os alunos terem contato com os artistas, conhecerem os processos criativos, para assim desmistificar esse fazer!

  3. Josey disse:

    Achei interessante matéria “O Grafite vai à escola” e considero de grande importância que o aluno tenha contato direto com o artista, quando ele expõe a própria experiência envolve o aluno de maneira mais completa e ainda quebra a imagem do artista já falecido como ocorre com os clássicos. Experimentei um momento com o grafite em minha turma de 9o ano em 2007, o resultado pode ser conferido no blog que eles criaram para o projeto: arte-na-rua.blogspot.com
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