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Notícias_11.10

Novas diretrizes para o livro e a leitura

Por Blog Acesso

 

Em Memórias póstumas de Brás Cubas, o defunto-leitor Brás Cubas  debocha do número de leitores que seu livro terá. “O que não admira, nem provavelmente consternará, é se este outro livro não tiver os cem leitores de Stendhal, nem cinquenta, nem vinte, e quando muito, dez. Dez?” A frase gaiata de Machado de Assis reflete um período marcado por uma grande restrição à circulação e recepção da literatura no país. Como mostra o pesquisador Hélio de Seixas Guimarães, em Os leitores de Machado de Assis – o romance machadiano e o público de literatura no século 19, “em 1872, apenas 18,6% da população livre e 15,7% da população total, incluindo os escravos, sabiam ler e escrever”.

Dois séculos depois, a impressão que temos é a de que o cenário desalentador do século 19 não mudou muito. Certamente, Machado de Assis, que se preocupava tanto com a formação do leitorado, ficaria boquiaberto se tivesse vivido o suficiente para constatar que o número de analfabetos continua desproporcional. Segundo dados divulgados este ano pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, em 2009 foram contabilizados 14,1 milhões de brasileiros que não sabiam ler nem escrever, o que equivale a 10,5% da população maior de 15 anos.

Para tentar reverter essa situação, 150 representantes estratégicos do poder público e da sociedade civil se reuniram entre os dias 18 e 19 de novembro, em Brasília, no Encontro Nacional de Livro e Leitura. O evento teve como objetivos realizar um balanço das ações de livro, leitura, literatura e bibliotecas dos últimos oito anos, e propor diretrizes para políticas na área. O resultado do encontro foi um documento final, com avaliações sobre os desafios e oportunidades para as políticas de livro e leitura nos próximos anos, que será encaminhado aos ministros de Cultura e de Educação e para a presidente eleita Dilma Rousseff.

O documento redigido no encontro registrou questões que já vinham sendo discutidas pelo setor em outras ocasiões como na Pré-Conferência Setorial do Livro e Leitura e na Conferência Nacional de Cultura. Entre os principais pontos abordados, a institucionalização da política do livro e da leitura aponta para um projeto de lei que determinaria a criação do Instituto Nacional de Livro, Leitura e Literatura – INLLL; para a regulamentação da Lei do Livro; para a efetivação do Plano Nacional de Livro e Leitura; e para a criação do Fundo Pró-Leitura.

A partir do documento desenvolvido no Encontro Nacional de Livro e Leitura, os técnicos dos ministérios da Cultura e da Educação devem estabelecer metas a cumprir nos próximos quatro anos, período do mandato da presidente eleita. Segundo o diretor de Livro, Leitura e Literatura do MinC, Fabiano dos Santos Piúba, o maior objetivo para 2011 será “demonstrar a dimensão estratégica da política pública de livro e leitura para avançarmos ainda mais nestas políticas”, afirma em seu pronunciamento. Para ele, o Ministério da Cultura viveu uma experiêcia de amadurecimento com relação às questões do livro e da leitura nos últimos oito anos. “O Ministério aumentou em mais de 1.000% os investimentos em livro e leitura. E, junto com o Ministério da Educação e a sociedade civil, instituiu o Plano Nacional de Livro e Leitura – PNLL, que dá as diretrizes das políticas do setor. Mas sabemos que podemos mais”, conclui.

O Encontro foi o resultado de uma parceria entre a diretoria de Livro, Leitura e Literatura da Secretaria de Articulação Institucional – DLLL/SAI, a Secretaria Executiva do Plano Nacional de Livro e Leitura – PNLL, o Instituto Pró-Livro, a Fundação Santillana e a Organização dos Estados Ibero-americanos–OEI.

Promoção diretrizes para o livro e a leitura – Acesso e Companhia das Letras
Se você pudesse enviar sugestões de diretrizes para políticas do livro e da leitura diretamente ao Ministério da Cultura, o que diria? Pois, aproveite a oportunidade! Deixe sua sugestão na área de comentários deste post até segunda-feira,  6 de dezembro, e ajude a estruturar o documento que o blog Acesso enviará à equipe do próximo Ministério da Cultura. As três melhores respostas também receberão livros da Companhia das Letras (veja os kits de livros abaixo). Os vencedores serão divulgados na terça-feira,  7 de dezembro. Participe!

Conheça os kits de livros da promoção:

Kit 1


O beijo de Lamourette. Robert Darnton.

Seres, coisas, lugares: do teatro ao futebol. Decio de Almeida Prado

Assunto encerrado – Discursos sobre a literatura e sociedade. Ítalo Calvino

Kit 2

A cidade das palavras – As histórias que contamos para saber quem somos. Alberto Manguel

O resto é ruído – Escutando o século XX. Alex Ross

Freud, pensador da cultura. Renato Mezan

Kit 3

Artepensamento. Adauto Novaes

Brasil: um século de transformações. Vários autores.

Ponto final: crônicas sobre os anos 1960 e suas desilusões. Mikal Gilmore.

Priscila Fernandes/ blog Acesso

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44 Respostas para “Novas diretrizes para o livro e a leitura”

  1. [...] This post was mentioned on Twitter by priscilabalsini, Fabricio Franco and linhamestra, Blog Acesso. Blog Acesso said: Novas diretrizes para o livro e a leitura: Em Memórias póstumas de Brás Cubas, o defunto-leitor Brás Cubas  debo… http://bit.ly/icJr6w [...]

  2. Elizabete Schramm disse:

    Olá, a minha sugestão ao Ministério da Cultura seria o investimento na criação de mais bibliotecas realmente equipadas, e com um acervo rico em livros. Pois acredito, que o investimento em bibliotecas equipadas, um espaço público e cultural, contribuiria para um acesso livre e mais democrático ao conhecimento por parte dos jovens, sem distinção de classes sociais.

  3. Verônica C. Bomfim disse:

    Acredito que uma das propostas que viabilizariam um acesso maior aos livros seria o incentivo a livros feitos com um material mais barato, como o papel-jornal, facilitando a aquisição dos livros por pessoas de menor poder aquisitivo.

  4. Uma proposta nada original, e sempre eficaz, é reduzir imposto sobre o livro. Outra proposta, original mas que estou plagiando do professor Desidério Murcho, é propaganda – investimento para associar uma boa vida com uma vida de educação e leituras; Às vezes vejo anúncios de redução de impostos e até propagandas cidadãs, é preciso baixar o custo do livro e seduzir as pessoas para comprarem – só assim o Brasil terá um mercado ampliado de leitores, livrarias, bibliotecas, etc. Ver o livro como investimento ajuda bastante.

  5. Um País que possui mais editoras do que livrarias tem, por um lado, um fato a comemorar – a forte demanda de publicações, quer escolhidas a dedo por experientes editores, quer custeadas pelos próprios autores -, mas, por outro, um do qual se lastimar – a inequidade na distribuição e no acesso ao livro, uma vez que não apenas há menos livrarias do que municípios, como também estas se encontram concentradas nos grandes centros urbanos, deixando à margem do espaço literário grande parcela da população. Além disso, o número de bibliotecas públicas, capazes de democratizar ainda mais o acesso da população ao livro, em especial à sua parcela mais carente, é insuficiente, e o tamanho e a qualidade de seus acervos são, em geral, bastante precários. Tendo em vista esta situação, mas cientes de um interesse geral pela cultura feita em nosso País que ultrapassa as limitações de letramento de sua população, algumas políticas públicas e ações do mercado editorial poderiam ser pensadas – ou readequadas – para uma democratização da leitura e o seu incentivo, a saber:
    1) subsídio para aquisição de títulos infantis, infanto-juvenis e de autores fundamentais da literatura brasileira pelas escolas e bibliotecas públicas, que poderiam também se tornar espaços para exposições que valorizassem e tonassem mais acessíveis tais obras;
    2) nova abordagem das obras literárias em sala de aula, desvinculando-as do mero status de “leitura obrigatória destinada ao vestibular”, que permitisse a adoção de livros sugeridos pelos próprios alunos ou indicados pelos professores por seu caráter lúdico, telúrico, ou por sua relação intrínseca com a cultura local/nacional;
    3) esforço conjunto de editoras e livrarias para reduzir os custos de uma publicação e seu preço final nas prateleiras;
    4) incentivo à adaptação de grandes clássicos literários nacionais para o teatro, o cinema, a animação gráfica e os quadrinhos, de modo a trazer crianças e adolescentes para o universo da leitura, ao atraí-los por meio de mídias que lhes são, hoje em dia, mais próximas, ou que, num primeiro momento, lhes venha a chmar mais atenção do que os livros.
    Creio que, com medidas como as acima mencionadas, aliadas a uma melhora considerável – e desejada – do ensino no País, se possa formar um público leitor consistente e crescente. Vencer o analfabetismo é o primeiro passo, mas não o único. Democratizar a leitura e torná-la atrativa são dois outros, também eles fundamentais.

  6. MCristina disse:

    1. Construir espaços de leitura compartilhada é tão importante quanto promover o acesso ao livro. Mais do que ganhar livros no natal ou no aniversário, a criança ‘pede’ que a gente leia junto com ela e faça do livro uma experiência de proximidade e de contato com outras experiências humanas. Por outro lado, a experiência íntima e solitária da leitura na juventude e na idade adulta seria ainda mais valorizada e enriquecida pelo contraponto com um espaço público vivo, marcante, onde as diferentes leituras dialogassem e disputassem a atenção.

    2. A leitura de imagens é tão importante quanto a leitura do texto escrito. No universo da chamada literatura infantojuvenil, o ilustrador também é autor e uma obra costuma ser um conjunto texto-ilustração-diagramação e não apenas um texto. Vale explorar essa mudança de registro junto aos educadores e outros promotores da leitura.

  7. Cybelle disse:

    Por que não fazer leituras e até mesmo adaptações de livros pelo rádio?
    No trânsito, em atividades rotineiras/repetitivas elas seriam muito agradáveis.E as pessos se interessariam por outras obras do mesmo autor, etc.

    Cybelle

  8. [...] comentários deste post até segunda-feira,  6 de dezembro, e ajude a estruturar o documento que o blog Acesso enviará à equipe do próximo Ministério da Cultura. As três melhores respostas também [...]

  9. MCristina disse:

    Boa noite!

    Lendo o PNLL, estou me dando conta de que ele já contempla a maioria das ideias que estamos propondo aqui…

    Talvez, então, seja o caso de investir mais na divulgação do Plano e das ações e produtos que já existem.

    O PNBE e o Biblioteca em Minha Casa, por exemplo, já contribuíram para incrementar muitas bibliotecas. Mas não costumamos ver a biblioteca da escola como nossa, mesmo quando elas são chamadas de ‘bibliotecas escolares e comunitárias’, como no meu município (Florianópolis). Uma estratégia interessante poderia ser dar ênfase à Biblioteca Escolar nos projetos do tipo ‘Escola Aberta’, em que a comunidade ‘ocupa’ a (e se ocupa da) escola nos fins de semana.

    Com relação à publicação de livros mais baratos, ela também já acontece, em alguma medida. Talvez seja interessante criar canais de divulgação dessas edições e de experiências de sucesso como a das máquinas de venda automática instaladas nas estações do metrô de SP, que vendem (bem) livros dos mais variados tipos, todos baratos.

    Enfim, acho que já construímos um certo consenso a respeito dos princípios e das diretrizes para o estímulo à leitura. Falta mesmo um movimento com volume, um momento, uma sinergia que impulsione e dê visibilidade às ações.

  10. Concordo com MCristina. Praticamente todas as sugestões já estão previstas no PNLL (Plano Nacional do Livro e Leitura), portanto, é vital que os Estados criem os seus PELLs (Planos Estaduais do Livro e Leitura) e que incentivem os prefeitos a criarem os PMLLs (Planos Municipais do Livro e Leitura). De que forma? Criando atrativos fiscais ou financeiros para o município que implantar o PMLL até determinada data. Assim como fizeram com o déficit zero de bibliotecas nos municípios, embora ainda existam prefeitos que continuam desativando bibliotecas.
    Aqui em São Gonçalo do Sapucaí a prefeitura está de parabéns, está reformando um imóvel para receber a biblioteca municipal que, há vários anos, permaneceu esquecida.
    Eu possuo uma biblioteca comunitária em minha casa e tenho total apoio da prefeitura, já estive em BH, SP e RJ apresentando meu trabalho, inclusive na Biblioteca Nacional; adoraria receber um kit (ou todos) para disponibilizar aos meus usuários.

  11. “Assim como fizeram com o déficit zero de bibliotecas nos municípios…” em comparação às metas para zerar o números de municípios sem bibliotecas, portanto, deve-se criar uma meta para zerar os municípios sem o PMLL.

  12. Flávia Quirino disse:

    1º livro: As altas taxas de juro dificultam a aquisição de livros, principalmente pelas classes mais baixas da população. A redução de impostos para a consequente redução do preço dos livros é fundamental para se ampliar o consumo de livros no país.

    2º leitura: O hábito de ler deve começar ainda em casa, na infância, e também no ambiente escolar, local em que os jovens estudantes passam a metade do dia. As escolas, principalmente as governamentais, devem criar mecanismos de incentivo a leitura para que estes jovens se tornem, no futuro, adultos, não apenas consumidores de livros, mas sobretudo, conscientes de seu papel na sociedade.

  13. Ler é um hábito, hábito este adquirido na infância.

    Devemos incentivar os pequenos leitores para que, no futuro, eles valorizem o livro, seja ele impresso ou digital.
    E, a minha sugestão seria capacitar aos professores na arte de ler (contar histórias, realizar cirandas) e os incentivar a passar este hábito para frente.

    Acho o livro caro no Brasil sim, mas ainda assim eu guardo parte de minha renda para este fim. Li Monteiro Lobato na infância e não tiva acesso a tantos gadgets tecnológicos também.

    Melhorar o leitor e melhor o preço é uma formúla que considero vencedora!

  14. Tomaz Adour disse:

    Estimular a profissionalização de mais vendedores de porta em porta, legalizando-os e dando benefícios para que eles possam trabalhar e ganhar mais, vendendo livros de autores brasileiros com desconto para a poulação do interior.

  15. Incentivar as crianças alfabetizadas a escreverem diários (pode ser em forma de blog para locais onde a internet já se popularizou), inclusive com desenhos, colagens e outras figuras. Isso aproxima os estudantes da leitura, pois ela se torna interessante.

    Incentivar e apoiar a confecção de jornais pelos pequenos e concursos literários.

    A escola incentivar os pais a lerem ou; no caso de pais analfabetos, contar histórias. Afinal, de acordo com a ciência, as crianças aprendem copiando dos pais.

  16. Mari Cecilia Silvestre disse:

    Aqui no interior do Ceará tivemos uma experiência muito interessante financiada por um organismo internacional que foi um ônibus biblioteca. Ele visitava as escolas do município que preparou uma equipe de contadores de histórias que ajudavam a chamar a atenção dos leitores para o mundo encantado da literatura. Os resultados foram maravilhosos e o projeto continua, agora com os custos assumidos pela própria prefeitura. Essa experiência mostrou que pode dar muito certo a instituição de pequenas bibliotecas ambulantes para fazer circular livros e leitura pelos interiores do Brasil, onde o acesso a livros é praticamente inexistente O ônibus era muito bem adaptado para fun

  17. Mari Cecilia Silvestre disse:

    Aqui no interior do Ceará tivemos uma experiência muito interessante financiada por um organismo internacional que foi um ônibus biblioteca. Ele visitava as escolas do município que preparou uma equipe de contadores de histórias que ajudavam a chamar a atenção dos leitores para o mundo encantado da literatura. Os resultados foram maravilhosos e o projeto continua, agora com os custos assumidos pela própria prefeitura. O ônibus foi muito bem adaptado para acondicionar os livros e receber os leitores que passavam a ler do lado de fora, ou levavam os livros para casa, através de empréstimos. Essa experiência mostrou que pode dar muito certo a instituição de pequenas bibliotecas ambulantes para fazer circular livros e leitura pelos interiores do Brasil, onde o acesso a livros é praticamente inexistente.

  18. Como escritora e professora de Língua Portuguesa do Ensino Fundamental II, estou convencida de que a interação entre o escritor e educandos (crianças, jovens e adultos) estimula fortemente os leitores que se supreendem com a presença “física” do escritor, algo, em geral, inusitado para a maioria da população.
    Sei que no Rio Grande do Sul há projetos dos governos que contemplam essa idéia. Os alunos leêm os livros e depois o autor os visita, dá palestras, etc.
    Minha experiência pessoal com um livro de poemas financiado pelo Fundo de Investimento à Cultura do município de Campinas teve êxito a partir do momento em que passei a distriubuir meus livros para meus alunos. Eles liam o livro inteiro e vinham me fazer perguntas. Alunos de outras salas, ao saberem da existência de uma escritora na escola, vinham me perguntar e me pedir um livro.
    Eu acredito que o Governo Federal deveria bancar publicações de autores de comprovada excelência (e naõ de ibope) para desenvolver nas escolas de todo o Brasil experiências como a minha e/ou como as do Rio Grande do Sul, isto é, aproximar leitor e escritor. Isso estimula a ambos, gera vontade de participar, de conhecer o mundo – é uma semente de uma árvore que pode ser infinita.

  19. QUANDO EU ERA CRIANÇA, OUVIA ENCANTADA HISTÓRIAS CONTADAS POR UM ADULTO DA FAMÍLIA OU AMIGO ESPECIALMENTE PRA MIM, PRINCIPALMENTE ANTES DE APRENDER A LER E NOS ANOS INCIAIS A LEITURA.
    AINDA LEMBRO DAS PRIMEIRAS HISTÓRIAS QUE EU OUVI: PEDRO E O LOBO, PINÓQUIO, BRANCA DE NEVE, O PATINHO FEIO, PETER PAN E ALI BABÁ E OS 40 LADRÕES.

    ENTÃO, ACREDITO QUE O CAMINHO É ESSE. FAZER O ADULTO APRENDER OU A RETORNAR AO VELHO COSTUME DE LER PARA AS CRIANÇAS. ASSIM COMO FAZIA A VOVÓ BENTA DO SÍTIO DOM PICA PAU AMARELO PARA SEU NETOS.
    TENHO CERTEZA QUE ELAS APRECIARÃO ESSES DOCES MOMENTOS ENCATADORES E INESQUECIVÉIS JUNTO A ALGUÉM QUE GOSTA OU AMA.
    ESSES MOMENTOS PODERIAM SER INICIADOS EM LUGARES ONDE ATUALMENTE AS CRIANÇAS COSTUMAM FREQUENTAR: ESCOLA, SHOPING, PRAÇAS, PARQUES E NAS ESTRADAS DURANTE AS VIAGENS E CONGESTIONAMENTOS.

  20. Isa de Oliveira disse:

    A proposta do Vale Cultura inclui “trabalhadores da iniciativa privada e servidores públicos federais que recebem até cinco salários mínimos, eles vão receber o benefício de R$ 50 para aquisição de revistas, livros e acessos a diversos equipamentos e produtos culturais e eventos. O Vale-Cultura será destinado também a estagiários e a trabalhadores com deficiência remunerados até sete salários mínimos. Aposentados terão direito ao benefício no valor de R$ 30.”
    Esta proposta de ínicio é boa mas muito restrita o que tornará uma política pública fechada e não-expansiva, se expandisse o vale cultura para todos os setores da sociedade como ONGS de comunidades carentes, servidores estaduais, etc atingiria maior parte da população de forma eficiente além de permitir um acesso amplo para o consumo de livros, revistas, etc. O maior incentivo é dar condições de aquisição e acesso ao bem através de um incentivo no qual o trabalhador não possui ou não recebe como forma de benefício.

    Outra forma que descobri recentemente é a criação de bibliotecas solidárias pelas ONGS, até então eu desconhecia, o governo poderia incentivar a troca de livros e campanhas de doação que funcionam muito bem. Criar novos espaços e centros de leituras como bibliotecas solidárias por exemplo em comunidades carentes é um alternativa na qual cabe o setor público investir na infra-estrutura que o conteúdo a própria comunidade em parceria com a sociedade civil ou privada tenataria constituir seu próprio acervo além de criar um banco de cadastro d eleitores potenciais para receber o vale-cultura por exemplo.

    O acesso ao livro se dá por falta de incentivos sejam eles financeiros, educacional, acessibilidade, falta de informação correta e adequada etc. Deve haver várias políticas de incentivo à leitura e ao livro e não apenas criar uma política. As diretrizes devem ser orientadoras no sentido de mostrarem onde está o ponto a ser atingido e criar em cima disto alternativas viáveis e amplas de alcançar o maior público possível e informar a sociedade a existência de tais políticas e seu direito de usufruir da mesma.

  21. Isa de Oliveira disse:

    Errata no comentário: Leia-se “… de Leitores” e não ” d eleitores” conforme está escrito no final do segundo parágrafo do texto. Desculpe-me o erro de digitação.

  22. Vanessa Ferreira disse:

    Acho que o meio mais eficaz é incentivar a leitura nas escolas. É muito difícil uma criança gostar de ler se seus pais não têm o hábito. A escola é a melhor alternativa.

  23. Fernando Luiz disse:

    Minha sugestão é que o Minc desenvolva o acesso de universitários em programas sociais, tem vale cultura pra todos os trabalhadores, mas o estudante universitário fica fora. Tá na hora do estudante poder comprar livros através de incentivo federal!

  24. Concordo com todos os que dizem que o PNLL já abrange boa parte das propostas.

    Minha proposição, contudo, diz respeito à política de editais, que tem ajudado a muitos autores desconhecidos (como eu, que fui contemplada com um edital do governo do meu estado, o Ceará, e irei publicar meu primeiro livro).

    Acho importantíssimo o financiamento direto aos autores, mas sugeriria um maior auxílio no escoamento dessas produções, que acabam destinadas a um canto de parede na casa do autor, depois do lançamento (único momento em que realmente consegue vender as obras). Julgo que seja preciso, entre muitas outras, duas iniciativas:

    1 – Interagir com governos de outros Estados, também promotores de editais, para realizar a compra de títulos produzidos em outros lugares, assim os livros circulariam e finalmente estariamos promovendo a bibliodiversidade nacional, uma das bandeiras do Fabiano dos Santos, diretor do livro e da leitura, do MEC.

    2 – Realizar capacitações e estimular a formação dos autores em gestão de empreendimento. Fazê-los entender que hoje é preciso não só ter talento para a escrita, mas para gerir essa produção. A cultura pode e deve empregar pessoas, dar sustento aos seus profissionais e os autores, eu percebo, são muito pouco preparados para dar continuidade à escrita, não como um hobby, mas como um negócio, um empreendimento.

    Bem, existem outras propostas, mas acho que essas já são vão contribuir para o documento.

  25. luiz disse:

    Penso que precisamos fazer chegar até as crianças, em suas casas, livros feitos com um material mais barato. Uma casa sem livros (?). Devemos incentivar os pequenos leitores. Já ouvi falar sobre um projeto semelhante. Os livros eram enviados para as Escolas, de onde deveriam ser distribuídos para as crianças. Mas, não foi bem assim. Livros de ótima qualidade, chegaram às escolas e de lá só saíram para “os mesmos”. Crianças de famílias de baixa renda não tiveram acesso aos livros, pois eram bons de mais, iriam estragar. Em algumas escolas, eles ainda se encontram Lá e, em outras, apenas alguns estão disponibilizados. Livros diretamente para as crianças, em casa. Esta é a minha sugestão. (o Bolsa família está aí, um veiculo natural para esta distribuição.

  26. Eliane Furusho disse:

    Todas as iniciativas são louváveis, todavia para começarmos um trabalho de formação de leitores, não existem milagres, precisamos de matéria prima, palpável, que é o livro. Sabemos que além da escola, instituição responsável por conduzir o estudante na prática da leitura, os pais também tem um papel fundamental no desenvolvimento do hábito da leitura. Entre as várias alternativas já citadas uma delas seria fazer campanhas que levassem as famílias às bibliotecas e livrarias que abririam para exposições ou eventos culturais.

  27. Acredito que o problema mais básico na questão da leitura e dos novos leitores é a forma como se apreende esta ou estes no Brasil, não sei se no mundo. A questão da leitura não deve se apresentar de forma imposta: Você deve ler para se tornar uma pessoa mais inteligente, melhor, mais humana, intelectual, etc. etc. Se me propõe que eu deva ler para ser algo mais, minimiza-me; talvez me afaste disso, digo, da leitura. Não vou conhecer o prazer de ler através da minha obrigação em fazê-lo, farei sim abnegadamente, quando conhecer o prazer que causa; sem me preocupar com nenhuma prerrogativa ou afirmativa anterior. Lembro-me da universidade, quando tinha tempo apenas para as exigências, – me cansavam, às vezes eram exaustivas! Reproduzir ao não-leitor o prazer estético da literatura, talvez assim se faça este um leitor, um neo-leitor. Pois neo-leitor não é só aquele que se alfabetiza agora, é todo aquele que interpreta apenas sinais por demais simples, não sabendo ainda interpretar as letras de uma forma a apreender o verdadeiro sentido das interpretações: a descoberta, o horizonte a nascer sobre o horizonte morto de ontem, a inquietação, a beleza. Instigar, então, mas de que forma? Em primeiro lugar, implantar sim bibliotecas onde não haja, mas onde haja, não é necessário apenas equipar ou equipar demasiadamente. Isso é um pensamento burguês, muitas vezes, e não funciona se as equipâncias estiverem aí apenas para dar volume ao cheiro velho dos livros. Investir em equipamento humano, bons profissionais, é melhor. Conquistar os neo-leitores através de ludicidades mais encantadoras, este seria um propósito maior, me parece. Primeiro, junto aos menorezinhos, me parece mais propenso. Se investíssemos em pequenas atividades cênicas no próprio âmbito das bibliotecas, contação de histórias dramatizadas, divertidas, com o livro na mão de preferência; se investíssemos, junto às secretarias de educação e cultura, em trazer nossas escolinhas para estas instituições quase abandonadas e trouxéssemos às crianças tecidos caídos, tules, personagens desenhados pelas paredes, túneis de sequencialização narrativa, poemas dependurados; se de repente, de detrás de uma cortina saltasse um personagem, bem de dentro do livro, e lesse, e contasse, e interpretasse; se de repente a criança tocasse o livro e visse como é bonito, seria um começo. O ato de contar histórias em sala de aula atrai sempre novos interesses nas crianças, disso sei eu bem, principalmente histórias com finalidade estética puramente ou fabulosa, e o ato de conduzi-la à biblioteca, ajudá-la a escolher, conhecer, isso forma leitores. Acredito que este mesmo contexto possa ser levado aos maiores também. Aqueles que participam da alfabetização adulta ou aqueles inscritos no ensino médio e fundamental. Precisam de ludicidade. Precisam de descobrir o que estão perdendo, o que podem extrair. Não saber que são burros ou que precisam de ler para não ser. Professores, então, levem seus alunos o quanto antes à biblioteca, mas não separem livros prontos e acabados. Deixem-nos descobrir, escolher, folhear, falar mal ou não. Mas instiguem que leiam e critiquem, e falem sobre a experiência. Não os obriguem a fazer trabalhos tolos que não levem a nada, somente a uma nota de final de bimesntre ou trimestre. Ora, todos têm direito de não gostar de Machado de Assis, o que não podem é não ler um dia para saber o que é! Contem ainda histórias e se sintam apaixonados; se eles não souberem o que vale a leitura através de quem lê jamais saberão. E, bibliotecários, inventem, decorem, obrem atividades dispostas a sorrir, mesmo quando o livro seja triste. Pois este é o prazer de se ler: emociona, de todas as maneiras como a vida nos faz sorrir… e chorar.

  28. Bom meus caros,
    Acredito que não seja uma questão financeira a falta de leitores, ou o desinteresse por livros. Ler é um costume que tem de ser valorizado. Seja através da escola, do meio e da família. Quando for importante para a sociedade o conhecimento, a leitura será algo corriqueiro. Não só a leitura como a escrita e o saber falar.

  29. airton uchoa neto disse:

    Há duas questões importantes a serem abordadas. É preciso, em primeiro lugar, visualisar mais amplamente o conceito de leitura, pensá-lo não estritamente como leitura de livros, mas como capacidade de compreensão geral da mensagem escrita. O público “não-leitor” em geral tem dificuldades de compreender até mesmo enunciados simples, se forem escritos. Em segundo lugar (mas ainda levando em consideração o que foi dito no início), os educadores devem ser mais e melhor preparados nesse sentido. Educandos que gostam de ler acabam se tornando autodidatas não por rejeitarem os professores, mas antes por não encontrarem o apoio necessário da parte deles: professores de português tendem a tornar a literatura uma divisão mecânica por fases, a ver a língua totalmente sob o ponto de vista da gramática e a corrigir redação visando aspectos formais rígidos e de pouco sentido, ignorando de todo o conteúdo. Os professores de português, nas escolas, têm que deixar de ser os maiores inimigos da língua e passar a ajudar os alunos, construindo o conhecimento a partir do que eles trazem de casa. Pois, embora haja distinções entre a língua escrita e a falada, essas duas formas de comunicação não são distantes a ponto de constituírem idiomas separados, como a atitude atrasada de muitos professores mal formados faz parecer, levando os educandos a acreditarem que não sabem falar sua própria língua materna.

  30. Bom dia.
    Eu sugeriria que parte da verba direcionada à Educação, seja o repasse federal aos Municípios, sejam as verbas próprias de cada ente federativo, tivesse o encargo de criar-se bibliotecas gerais e outras especializadas, mas não apenas em grandes cidades ou capitais.
    Os entes governentais têm a péssima praxe de tudo fazer apenas em grandes centros e nas capitais e esquecem o interior. Por sua vez os Municípios menores alegam “outras prioridades” antes de investir em cultura. Tanto que tenho 35 anos e desde quando tinha 6 já se dizia que em minha cidade, Birigui/SP, haveria uma grande biblioteca pública e um teatro municipal: nem um nem outro: construíram o terminal rodoviário supostamente com esta verba quando eu tinha 7 anos e não se falou mais nisso. E minha cidade tem mais de 100 mil hab.
    Seria interessante se os centros regionais pudessem ter uma biblioteca federal mais avolumada, de cunho geral e também contando ou com alas especializadas ou tendo outras que o fossem, e nas cidades circundantes houvessem também bibliotecas compatíveis com as necessidades estudantis da comunidade.
    Nossa biblioteca pública é muito carente de impressos e não tem nenhum equipamento multimídia ou computadores de acesso público ou mesmo Wifi para quem trouxesse seu notebook ali. Livros não são comprados, o acervo existente está defasado e precário demais.
    Seria interessante o Governo Federal não apenas “mandar dinheiro” ao Município, mas também cobrar resultados das autoridades públicas.
    Só acho estranho o Ministério Público ainda não ter tomado providências.
    Eis minha opinião.

  31. Walmiré Dimeron Porto da Silva disse:

    Reduzam drasticamente o preço do livro!!!
    As livrarias estão fervendo de gente. Muitos ficam por ali folheando, lendo os livros por partes, em visitas ssitemáticas, desejando adquirí-los, mas…. livros a R$ 70, 80, poucos podem.
    Ao que consta, o governo isentou os livros de impostos, mas na prática, nada mudou em relação aos preços ao leitor. Mais ficalização e parcerias com o mercado editorial poderiam mudar a situação.

  32. Ana Margarida disse:

    Bom Dia,

    Minha sugestão é uma rede, em primeiro lugar de segurança à pessoa, o passo seguinte de proteção ao patrimônio público. Bibliotecas 24h. Com um acrevo para todos os gostos, tecnologia a disposição de tod@s.

  33. Sheila Campos disse:

    Há que se (re)criar, primeiramente, uma cultura de apreciação da leitura – hábito curiosamente desqualificado nos últimos anos, initerrupta e sistematicamente! Os veículos de informação e entretenimento – TVs, rádios, jornais, veículos disponíveis na web – apresentam uma imagem da leitura como algo “ultrapassado”, lento e dispensável, frente à imensa “rapidez” exigida dos indivíduos, inclusive para informarem-se. Cabe ao Estado impedir a cristalização dessa visão, e acredito ser necessário um planejamento consistente para uma ofensiva sólida a favor da leitura em todo o País. Quando os cidadãos associarem o hábito da leitura a critérios de valorização do homem, a buscarão sem mais necessidade de “programas”, de distribuição de volumes, de eventos, etc.

  34. Minhas propostas são:

    - O incentivo à leitura deve ser levada mais a sério. A acessibilidade às bibliotecas deve ser melhorada e convidativa, principalmente, para as crianças.

    - Temos um número de livraria muito baixo. Precisamos aumentar essa quantidade e fazer com que os preços de livros sejam mais acessíveis ao grande público. No Brasil, comprar livro é coisa pra quem tem dinheiro, atualmente.

    - Criar grupos de leitura nas escolas com diversas atividades lúdicas e próprias para cada faixa etária. Dessa forma, o ato de ler torna-se mais divertido.

  35. Álvaro Merlos Akinaga Cordeiro disse:

    Sugiro ao Ministério da Cultura que promova um programa de redução dos lucros das editoras, em sintonia com a valorização do autor, a fim de que o leitor se depare com preços mais ace´ssíveis e justos nas livrarias. É muito triste ouvir de um escritor iniciante que receber 7% do valor de capa é um contrato bom. É ridículo! Os livros já tem imunidade constitucional relativa aos impostos, as editoras é que devem tomar vergonha na cara e parar de explorar os autores e leitores.

  36. Simone de Paula disse:

    Sinceramente acho que o Ministério da Cultura faz a sua parte quando distribui livros para escolas e bibliotecas e isso não acontece só no sul e sudeste do país. Acho que não falta acesso aos livros, falta a cultura da leitura que se dá no dia-a-dia entre pais e filhos, atividades escolares, encontros grupais. Atualmente, jovens e adultos passam mais tempo diante do computador e não há como eliminar esse novo parceiro das nossas vidas. Cada vez mais o olho se acortuma a ler e absorver as imagens digitais. Com isso, acredito que o investimento em bibliotecas digitais seria um grande passo. Apoio e incentivo às editoras para que as obras clássicas e os lançamentos tivessem maior distribuição na internet. Sabemos que o mundo digital permite mais do que letras, palavras e frases e acredito que um bom caminho seria termos versões dos livros, alguns apenas com o texto, outro com imagens e sons, enfim, vamos aproveitar a tecnologia e desenhar nosso futuro.

  37. Josiane Carla Silva disse:

    Olá! Minha sugestão é que livro, como qualquer coisa relacionado à cultura, é muito caro no Brasil. É preciso deixá-lo mais acessível, para depois começar campanhas de incentivo à leitura.

  38. Luciano Baptista Domingos disse:

    A minha proposta seria em primeiro lugar, implementar na Lei de Dietrizes e Bases da educação a disciplina Literatura como obrigatória, com professor específico fazendo concurso específico e não ser um desdobramento da Gramática, como é nos dias de hoje. Se o aluno não gosta de ler é porque não há estímulos, pois os professores (de inglês ou de Língua Portuguesa) não são, obrigados, ou motivados para isso.
    Em segundo lugar, investir em eventos de leitura dentro da própria biblioteca, como acontece em alguns SESC. O SESC remunera estagiários do curso de Letras e promovem eventos de leitura em sua biblioteca junto ao setor de cultura. Mas isso a nível público, deveria haver uma ação conjunta entre o União, Estado e as prefeituras com tal finalidade. O governo precisa aprimorar uma lei que faça as secretarias de cultura funcionarem com mais participação nesse caminho da leitura. Há milhares de professores de Letras com habilitação em Literatura, querendo trabalhar com leitura em outros setores que não seja a escola. As bibliotecas, as livrarias estão repletas de livros, mas aquele que lá chega sem nenhuma noção do que vai ler fica perdido, porque não existe uma orientação. Os leitores necessitam aprender a aprender a ler.

  39. Vinícius Resende disse:

    Realmente, sabemos que o brasileiro lê pouco e existe uma série de fatores que contribuem para isso, mas o que podemos fazer para mudar esse quadro? Muito se fala na educação infantil e no processo de alfabetização onde deve ser estimulado o contato a leitura de livros. De certa forma, as crianças têm tido muito contato com a literatura durante esse período de alfabetização e pós-alfabetizado. O que podemos observar é que à medida que a criança alfabetizada cresce, diminui o interesse pela leitura. O jovem não tem interesse pela leitura e assim torna-se um adulto que não gosta de ler livros. Formado num seio onde não há o gosto pela literatura, dificilmente teremos uma criança que se tornará leitora de livros.
    Na maioria das vezes cabe a escola a tarefa de formar leitores. Sugiro que haja capacitação continuada para os professores de estímulo a leitura, pois somente profissionais capacitados saberão indicar e trabalhar boas obras além de criar novas estratégias para a aproximação da literatura com nossas crianças e jovens. É extremamente importante essa aproximação da linguagem do jovem e a escola possui um importante papel nessa formação.
    O Instituto Nacional de Livro, Leitura e Literatura – INLLL poderia apoiar iniciativas culturais como feiras literárias, saraus e projetos que trabalham a literatura com outros tipos de arte, como a música, por exemplo. Existem projetos bem bacanas como a Cooperifa e a banda O Teatro Mágico que integram a literatura com outras artes e incentivam a leitura de livros. Assim como esses dois que eu citei, existem diversos outros projetos espalhados pelo Brasil que podem ser levados e trabalhados juntamente com a comunidade escolar. Sugiro também que seja promovida e estimulada a literatura através de concursos literários para novos escritores, assim como nas escolas.
    É visível nos últimos tempos o aumento de investimentos e o avanço nas políticas do livro e da leitura, e acredito que seja fundamental a participação do poder público juntamente com a participação das editoras e a população, sendo assim capaz de aumentar consideravelmente o número de leitores no nosso país.

    PS: Gostaria muito de ganhar o Kit 1, ele está sensacional!

  40. Bem. Sabemos do fraco percentual de leitores no Brasil, logo, porque não começar a mudar este quadro introduzindo textos curtos, de fácil digestão para o público de escolas ou em geral? Refiro-me a um Despertar do Conto. No conto em poucas páginas temos um breve sobre o que é literatura, início meio fim personagens etc. Logo introduzindo o leitor em leituras mais profundas, uma campanha de avivamento do conto, penso eu ser uma alternativa relevante

  41. Felipe Alves Paulo Cavalcanti disse:

    Reduzir o preço do livro ajuda, mas não basta. Até o início do século passado, o Brasil era uma nação onde os letrados constituíam uma elite; somente ao longo do século XX é que houveram grandes projetos de incentivo à leitura. Não éramos um país de leitores – o que infelizmente ainda não somos, ou ao menos, somos menos do que gostaríamos hoje: até 10 anos atrás, a população brasileira era de 13,6% de analfabetos (dados do IBGE), e atualmente, 10,5% (dos maiores de 15 anos). No entanto, a questão não se limita a isso. Outra pergunta também deveria ser feita: qual o conceito de “analfabetismo” que é usado?

    O termo “analfabetismo” compreende em seu uso comum, o saber “ler e escrever”. Aquele que consegue ler e escrever o próprio nome muitas vezes é considerado alfabetizado, mesmo sem ter aprendido a concatenar as frases ao praticar a leitura (o que é indispensável para ler um livro, por exemplo), o que remete ao velho método das cartilhas. Acredito que foi isso o que motivou Paulo Freire a empreender seu método de alfabetização lá pelos idos de 1960: ensinar o aluno a repetir “o rato roeu a roupa do rei de Roma” era simplesmente insuficiente; ensinar o “bê-a-bá” não é o mesmo que ensinar um aluno a ler.

    É interessante como para Freire, por exemplo, a leitura é mais – bem mais! – do que a decodificação de alguns signos alfabéticos. Ela envolve levar em consideração o lugar (social, cultural, político e econômico) dos alunos; envolve levar a leitura e a escrita até seu mundo, ao invés simplesmente de conduzi-los ao “Ivo viu a uva”. Isso é tudo o que o método pela repetição, ainda em voga em várias escolas, simplesmente ignora: o mundo dos alunos; daí que “a leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura
    desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele”. Ler a palavra faz parte da leitura do mundo, e não o contrário.

    Tendo isso tudo em mente, cito aqui alguns problemas centrais junto às minhas propostas.

    Em primeiro lugar, o problema do contexto. Do latim “contextus”, entrelaçar. Chegamos, enfim, ao problema central: o dos textos soltos não-entrelaçados, desligados do mundo. O texto nunca pode ser isolado de um contexto; ele tem de fazer parte do mundo do leitor: do contrário, não há leitura possível. O texto deve estar sempre conectado ao mundo do leitor de alguma maneira, nem que seja pra levá-lo a outro mundo: disso, nem as narrativas mais fantásticas escapam. Este é o problema em torno do qual todos os outros gravitam – o livro não alcança o leitor.

    “Como fazer isso?”. A resposta é tão simples quanto de difícil aplicação: ligando o texto ao mundo do aluno. Isso remete à questão da aprendizagem: aprender a ler, como disse algumas vezes, é mais do que repetir algumas frases à exaustão. A forma como se ensina o aluno a ler deve ser revista e constantemente aprimorada. O texto deve ser conduzido ao mundo aluno para que este, então, possa ler e, gradualmente, adquirir uma autonomia: lembremos que trata-se de leitura de mundos, antes de leitura de palavras.

    Em segundo lugar, o problema do incentivo. Lembro-me de uma escola estadual que visitei para fazer um trabalho: lá, percebia-se um grande esforço geral da equipe pedagógica para incentivar à leitura: os livros eram trazidos aos alunos nas salas de aula em carrinhos de supermercado, por exemplo. Diversas iniciativas eram tomadas ao invés de se esperar que, num passe de mágica, o aluno visitasse a biblioteca da escola e adquirisse o gosto pelos livros.

    Neste caso, o que se vê é que há políticas de incentivo à leitura (algumas delas, até, bem grandes!), mas que ainda não são suficientes. Uma política que achei certeira, por exemplo, foi a de distribuir grandes sucessos infanto-juvenis para bibliotecas de escolas públicas. No entanto, só isso não basta. É necessário investir mais, mas não nas mesmas políticas: é necessário criar novas iniciativas, que estejam mais presentes no cotidiano dos futuros leitores.

    Em terceiro lugar, o acesso público. Apenas as bibliotecas universitárias são freqüentadas. Com minha pouca experiência de pesquisador na área de História, posso dizer: as bibliotecas, ao menos as de minha cidade (uma capital, vale salientar), infelizmente, estão dadas às traças. Em algumas cidades interioranas, o quadro é quase o mesmo: bibliotecas vazias e mal cuidadas; isso, em grande medida, está relacionado tanto à manutenção paupérrima quanto ao fraco incentivo à leitura. Os acervos são pobres e mal-cuidados; e as pessoas não são levadas a ler.

    A resposta aqui também não traz nenhuma surpresa: além da criação de novas políticas (que já mencionei aqui), é fundamental cuidar dos acervos (e ampliá-los, sempre que possível!) e orientar os leitores para que encontrem o que procuram.

    Por último, mas não menos importante, o problema da aquisição. Apesar de algumas iniciativas para o barateamento dos livros, estes continuam caros. Os sebos são um refúgio, neste sentido, mas o preço de um livro novo em geral continua caro.

    É preciso deixar os livros ainda mais baratos, mais acessíveis. Aí, talvez, seja o caso de dar mais de uma edição a um livro: uma de luxo (em tiragem reduzida), Quase todo esforço é válido para tornar o livro um bem cada vez mais acessível (no entanto, para o caso da literatura estrangeira, não de pode abrir mão de boas traduções).

  42. Felipe Alves Paulo Cavalcanti disse:

    Reduzir o preço do livro ajuda, mas não basta. Até o início do século passado, o Brasil era uma nação onde os letrados constituíam uma elite; somente ao longo do século XX é que houveram grandes projetos de incentivo à leitura. Não éramos um país de leitores – o que infelizmente ainda não somos, ou ao menos, somos menos do que gostaríamos hoje: até 10 anos atrás, a população brasileira era de 13,6% de analfabetos (dados do IBGE), e atualmente, 10,5% (dos maiores de 15 anos). No entanto, a questão não se limita a isso. Outra pergunta também deveria ser feita: qual o conceito de “analfabetismo” que é usado?

    O termo “analfabetismo” compreende em seu uso comum, o saber “ler e escrever”. Aquele que consegue ler e escrever o próprio nome muitas vezes é considerado alfabetizado, mesmo sem ter aprendido a concatenar as frases ao praticar a leitura (o que é indispensável para ler um livro, por exemplo), o que remete ao velho método das cartilhas. Acredito que foi isso o que motivou Paulo Freire a empreender seu método de alfabetização lá pelos idos de 1960: ensinar o aluno a repetir “o rato roeu a roupa do rei de Roma” era simplesmente insuficiente; ensinar o “bê-a-bá” não é o mesmo que ensinar um aluno a ler.

    É interessante como para Freire, por exemplo, a leitura é mais – bem mais! – do que a decodificação de alguns signos alfabéticos. Ela envolve levar em consideração o lugar (social, cultural, político e econômico) dos alunos; envolve levar a leitura e a escrita até seu mundo, ao invés simplesmente de conduzi-los ao “Ivo viu a uva”. Isso é tudo o que o método pela repetição, ainda em voga em várias escolas, simplesmente ignora: o mundo dos alunos; daí que “a leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura
    desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele”. Ler a palavra faz parte da leitura do mundo, e não o contrário.

    Tendo isso tudo em mente, cito aqui alguns problemas centrais junto às minhas propostas.

    Em primeiro lugar, o problema do contexto. Do latim “contextus”, entrelaçar. Chegamos, enfim, ao problema central: o dos textos soltos não-entrelaçados, desligados do mundo. O texto nunca pode ser isolado de um contexto; ele tem de fazer parte do mundo do leitor: do contrário, não há leitura possível. O texto deve estar sempre conectado ao mundo do leitor de alguma maneira, nem que seja pra levá-lo a outro mundo: disso, nem as narrativas mais fantásticas escapam. Este é o problema em torno do qual todos os outros gravitam – o livro não alcança o leitor.

    “Como fazer isso?”. A resposta é tão simples quanto de difícil aplicação: ligando o texto ao mundo do aluno. Isso remete à questão da aprendizagem: aprender a ler, como disse algumas vezes, é mais do que repetir algumas frases à exaustão. A forma como se ensina o aluno a ler deve ser revista e constantemente aprimorada. O texto deve ser conduzido ao mundo aluno para que este, então, possa ler e, gradualmente, adquirir uma autonomia: lembremos que trata-se de leitura de mundos, antes de leitura de palavras.

    Em segundo lugar, o problema do incentivo. Lembro-me de uma escola estadual que visitei para fazer um trabalho: lá, percebia-se um grande esforço geral da equipe pedagógica para incentivar à leitura: os livros eram trazidos aos alunos nas salas de aula em carrinhos de supermercado, por exemplo. Diversas iniciativas eram tomadas ao invés de se esperar que, num passe de mágica, o aluno visitasse a biblioteca da escola e adquirisse o gosto pelos livros.

    Neste caso, o que se vê é que há políticas de incentivo à leitura (algumas delas, até, bem grandes!), mas que ainda não são suficientes. Uma política que achei certeira, por exemplo, foi a de distribuir grandes sucessos infanto-juvenis para bibliotecas de escolas públicas. No entanto, só isso não basta. É necessário investir mais, mas não nas mesmas políticas: é necessário criar novas iniciativas, que estejam mais presentes no cotidiano dos futuros leitores.

    Em terceiro lugar, o acesso público. Apenas as bibliotecas universitárias são freqüentadas. Com minha pouca experiência de pesquisador na área de História, posso dizer: as bibliotecas, ao menos as de minha cidade (uma capital, vale salientar), infelizmente, estão dadas às traças. Em algumas cidades interioranas, o quadro é quase o mesmo: bibliotecas vazias e mal cuidadas; isso, em grande medida, está relacionado tanto à manutenção paupérrima quanto ao fraco incentivo à leitura. Os acervos são pobres e mal-cuidados; e as pessoas não são levadas a ler.

    A resposta aqui também não traz nenhuma surpresa: além da criação de novas políticas (que já mencionei aqui), é fundamental cuidar dos acervos (e ampliá-los, sempre que possível!) e orientar os leitores para que encontrem o que procuram.

    Por último, mas não menos importante, o problema da aquisição. Apesar de algumas iniciativas para o barateamento dos livros, estes continuam caros. Os sebos são um refúgio, neste sentido, mas o preço de um livro novo em geral continua caro.

    É preciso deixar os livros ainda mais baratos, mais acessíveis. Aí, talvez, seja o caso de dar mais de uma edição a um livro: uma de luxo (em tiragem reduzida), Quase todo esforço é válido para tornar o livro um bem cada vez mais acessível (no entanto, para o caso da literatura estrangeira, não se pode abrir mão de boas traduções).

  43. [...] post do dia 25 de novembro, intitulado Novas diretrizes para o livro e a leitura, o blog Acesso lançou a Promoção diretrizes para o livro e a leitura – Acesso e Companhia das [...]

  44. Francisca Antonietta Cavalcante da s. Medina disse:

    Minha sugestão é,que o Estado e Município criassem espaços de leituras nos bairros, onde haveriam pessoas realizando projetos de incentivo à leitura dirigida à comunidade, atendendo ao público adulto e infantil. Nas escolas existem bibliotecas,mas estas têm outros objetivos e não incentivar o gosto pela leitura.

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