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Notícias_07.10

Novas bibliotecas – literatura à mão ou via internet

Por Blog Acesso

 

Erguida durante o século III a.C., a Biblioteca de Alexandria foi considerada, durante mais de quatro séculos, o mais importante espaço voltado ao conhecimento de seu período. Consta dos livros de História que a construção da biblioteca tinha como principal objetivo preservar e divulgar a cultura nacional e a ambição de reunir todos os livros escritos no mundo. Após vários incêndios, os materiais que ela abrigava foram quase completamente destruídos, porém, seu valor como espaço de preservação e de propagação do conhecimento permaneceu vivo na memória popular. Passados quase 2000 anos, nas proximidades da antiga biblioteca, foi construída a Biblioteca Alexandrina. Se na Antiguidade, Alexandria e outras bibliotecas viviam dos papiros e manuscritos únicos, hoje, a Alexandrina e suas contemporâneas se constituem como centros culturais, que abrigam, além do inestimável conteúdo livresco, espaços para apresentações, palestras, exposições e uma sofisticada rede de computadores conectados à bibliotecas de várias partes do globo. Trazendo novos rumos para acervos tão importantes, essas modernas bibliotecas buscam ampliar o acesso público ao conhecimento e à cultura e trazer outras formas de apropriação do espaço público.

O exemplo da Biblioteca Alexandrina acontece também em outros lugares. Na Europa, existem centros como este em Londres, Roma e Paris. Na Ásia, a Biblioteca de Singapura é uma das mais avançadas, podendo ser acessada via celular. Já a de Nova York, inaugurada em 2001, é a considerada  a pioneira das Américas, tendo aberto espaço para centros como o de Santiago, no Chile, e o de São Paulo, no Brasil.

A presidente da Federação Internacional de Associações de Bibliotecários – IFLA e diretora da Fundação Biblioteca Central e Regional de Berlim, na Alemanha, Claudia Lux, em sua tese A biblioteca moderna: sua face no século XXI, afirma que “muitas bibliotecas já iniciaram as mudanças na forma de prover informações e materiais para os seus usuários. Elas estabeleceram mais e melhores serviços de forma tradicional com a combinação de um conjunto de serviços, com o uso de elementos virtuais como a web, sms, rfid, referência digital e web 2.0, proporcionando serviços de forma mais rápida e de fácil acesso”.

Entretanto, como já comentara o escritor, crítico e professor Affonso Romano de Sant’Anna, em entrevista ao caderno RioCultura, da Gazeta Mercantil, em 2001, “uma coisa é pensar a biblioteca em países de primeiro mundo – como a Suécia e a Dinamarca, que têm uma biblioteca a cada quarteirão, ou os Estados Unidos que destinam verba anual de US$200 milhões para as bibliotecas públicas –, outra é pensar na biblioteca de países como o Brasil, onde as comunidades da Era da Pedra Lascada convivem com aquelas que parecem estar na Idade Média e ainda com as que pensam estar no século 21 – o que é pura ilusão”.

Mesmo com programas governamentais que, neste ano, finalizarão a implementação de uma biblioteca por município, o desafio do acesso à cultura é imenso. Quase dez anos depois de sua entrevista à Gazeta, o mesmo Affonso Romano de Sant’Anna afirmou ao site do Ministério da Cultura – Minc que o desafio não é só concluir as bibliotecas “com o devido treinamento dos bibliotecários e a colocação do acervo, mas implementar a biblioteca virtual. Ou seja, levamos 500 anos para botar bibliotecas em todos os municípios, mas, agora, graças ao salto tecnológico com a internet, postos de biblioteca virtual podem nos ajudar a compensar o atraso”.

Um caso que ilustra bem as palavras de Romano é o da Biblioteca Municipal Mario de Andrade , que reabre suas portas essa semana, após reforma e reestruturação. Segundo Maria Christina Barbosa de Almeida, diretora da Biblioteca, as grandes novidades são os projetos de acessibilidade, de motivação da população que vive no entorno e de digitalização do acervo especial, que abriga livros raros, antigos, mapas e outras relíquias No quesito acessibilidade, “nos preocupamos com a capacitação dos atendentes em Libras [Língua Brasileira de Sinais] e criamos painéis de localização dos livros em braile”, conta Almeida. Além, disso, encontros com debates e seções de cinema serão promovidos, periodicamente, acompanhados por sugestões de livros sobre os temas abordados. “A idéia é estimular novos leitores”, comenta a diretora. Na linha de novidades para o proveito público, o destaque fica por conta do acervo especial da Biblioteca. “Até hoje essa parte do acervo só podia ser vista por professores e pesquisadores especializados e, previamente, autorizados. Com a digitalização, o acervo será disponibilizado ao público. Todos terão acesso ao material”, afirma.

Também a Biblioteca São Paulo e a Biblioteca de Santiago são exemplos a considerar. Ambas buscam promover o gosto pela leitura com uma abordagem multimídia e multifacetada. A biblioteca brasileira, instalada no Parque da Juventude,  região da extinta penitenciária do Carandiru, tem uma área de 4.257m2, com espaços para shows, palestras e jogos eletrônicos, entre outros. O grande diferencial desses espaços é que, a princípio, o pólos de atração do leitor seriam as atividades de cultura e de entretenimento oferecidas nos locais. O interesse pela literatura se desenvolveria aos poucos, auxiliado pelas diversas atrações. Outro ponto alto deste modelo de biblioteca, próximo ao de centros culturais, é a acessibilidade. Na Biblioteca de São Paulo foram instaladas rampas e mesas de tamanho e altura ajustáveis para cadeiras de rodas, além de prevista uma proximidade com o metro para facilitar o acesso e a locomoção de seus usuários.

Acesso pergunta: Você acredita que essas novas bibliotecas contribuirão para o acesso à leitura?

Luíza Costa / blog Acesso

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Um comentário para “Novas bibliotecas – literatura à mão ou via internet”

  1. Gilmar disse:

    Biblioteca lugar de inclusão, reflexão para todos.
    Indicarei esta resposta aos meus alunos.
    http://www.educshow.com

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