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Notícias_04.07

Arte-educação na prática: experiências qu...

Por Blog Acesso

 

A inclusão das artes na grade curricular do ensino básico não significou, de modo geral, especialização e desenvolvimento da área. A formação precária dos professores em artes, quando existente, a falta de parâmetros curriculares consistentes e a  falta de comprometimento das escolas são alguns dos  motivos  apontados por especialistas para que a Arte-Educação não seja utilizada em todo seu potencial.


Na contramão da educação formal e regular, as organizações não governamentais adotaram a arte como ferramenta de transformação humana e social. O Boletim da Democratização Cultural traz a experiência prática de duas instituições que utilizam a Arte-Educação no seu dia-a-dia e que têm colhido bons resultados: o Instituto Arte na Escola e o Projeto Carmin.


Arte na Escola

Devolver o prazer de aprender e estudar. Para Evelyn Ioschpe, presidente do Instituto Arte na Escola, esse é o grande benefício que o ensino da arte pode trazer aos jovens e crianças. Mas para que a arte chegue aos alunos, antes é preciso capacitar o professor. E é justamente na qualificação do corpo docente que estão focadas as ações do Instituto Arte na Escola.


A instituição, que nasceu como um projeto dentro da Fundação Ioschpe, em 1989, atua em cinco frentes: mobilização, qualificação, instrumentalização, comunicação e valorização dos professores. “Procuramos utilizar o que há de mais interessante em Arte-Educação para capacitar os professores. Estamos em contato permanente com arte-educadores para desenvolver novos conteúdos e nos preocupamos em utilizar diversas metodologias”, explica Evelyn. “Não queremos dar uma receita pronta para o professor, queremos dar a oportunidade para ele criar, refletir”.


Na prática, o Instituto opera junto à 55 universidades conveniadas, por meio da Rede Arte na Escola, fornecendo material de capacitação para que seja replicado localmente para os professores da rede pública de ensino. Anualmente, são capacitados cerca de 30.000 professores, que por sua ação atingem alunos do ensino Infantil, Fundamental e Médio. Fazem parte do material educacional cadernos de apoio ao professor, banco de imagens e ludotecas.


A valorização dos professores é outra forma de estimular o ensino das artes nas escolas. Para isso, o Instituto criou o Prêmio Arte na Escola Cidadã, que tem como objetivo identificar, reconhecer e divulgar o trabalho pedagógico do professor com projetos de qualidade no ensino das linguagens da arte. “Procuramos incentivar os projetos que tenham ênfase na ampliação do repertório dos alunos e no comprometimento com sua formação cultural, visando a construção da cidadania e a transformação social”, comenta Evelyn.


Além de devolver o prazer de aprender e estudar, Evelyn Ioschpe acredita que a arte traz benefícios para a vida do indivíduo como um todo. “Qualquer pessoa que tem a possibilidade de fruir arte sabe que a vida fica melhor. É um processo que mexe com a imaginação, com a criatividade e que dá acesso ao que a humanidade produziu de melhor, e que se perdeu na educação pauperizada”, afirma a presidente.


Para Evelyn, a produção cultural não se justifica se não houver fruição. “A arte-educação deve, prioritariamente, formar fruidores. As metodologias mais antigas de fato são mais focadas na produção de arte. Mas hoje, no mundo contemporâneo, a realidade é outra. O público da escola é formado mais por fruidores do que produtores”, explica. “Além disso, entender a arte é uma habilidade fundamental para tornar um indivíduo crítico, capaz de fazer um julgamento refinado do que o cerca e, conseqüentemente, multiplicar a capacidade de respostas, benefício inestimável no mundo de hoje”.


Colorindo a vida

O ensino da arte sempre fascinou o artista plástico Eduardo Valarelli, que há mais de 15 anos ministra aulas de artes para jovens e crianças. No entanto, o formato convencional de desenhar, pintar e “colocar na pastinha” sempre o incomodou. Foi deitado em uma cama de hospital, após dividir com mais três pacientes o espaço de uma enfermaria, por 25 dias, que Valarelli diagnosticou um problema. Além de estar doente, percebeu que a instituição de saúde também estava com um quadro bastante grave: a falta de um atendimento humanizado e atenção integral ao paciente. "Percebi e senti que naqueles leitos não haviam sujeitos e sim doenças", comenta Valarelli.


Foi dessa experiência, em 1991, que surgiu a idéia de utilizar a arte para recuperar a identidade e a estima de pacientes nessa situação. Somente em 1996, Valarelli concretizou sua idéia e iniciou o Projeto Carmim, no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo, que mais tarde se transformaria em uma organização não-governamental.


Atualmente, o Projeto Carmim atua nas áreas de saúde, educação, formação e empreendedorismo, utilizando a arte e suas possíveis interfaces com crianças, jovens, adultos, idosos e profissionais em locais onde a dignidade e a estima estejam comprometidas. “Ensinar arte é uma forma singular de desenvolver a sensibilidade das pessoas. O grande diferencial do Projeto é valorizar a história do indivíduo. Quando iniciamos um trabalho, não estamos lidando com um aluno, mas com um indivíduo que, aos poucos, se tornará um aluno”, explica Valarelli.


A principal forma de atuação do Projeto é no atendimento hospitalar, onde artistas plásticos e arte-educadores introduzem o ensino das artes por meio de aulas de pintura, desenho e História da Arte. “É um trabalho muito particular. Não temos como desenvolver um plano de aula pois nunca sabemos em que estado vamos encontrar o paciente. Temos elementos norteadores, mas as técnicas são escolhidas durante o processo, depois que a relação entre o educador e o aluno for estabelecida”, relata Valarelli.


A arte é utilizada no Projeto Carmim como ferramenta principal para desenvolver potencialidades, auto-conhecimento e transformação de pessoas. “Durante o processo de criação, que tem pontos fracos e fortes, altos e baixos, o indivíduo percebe que não é só ‘coisa ruim’, que tem potencial, tem valor, e é nesse momento que se dá a transformação humana. O agente de mudança é o próprio aluno, o educador é apenas um facilitador”, afirma o artista plástico.


O Projeto desenvolve ainda ações de formação e capacitação de arte-empreendedores sociais. Além de multiplicar sua metodologia para outros espaços, essa iniciativa contribui para o processo de sustentabilidade e geração de recursos humanos da organização. Já são 230 arte–empreendedores formados entre jovens de baixa renda e adultos pagantes.


Valarelli acredita que, independente do local de ação e do sujeito a ser beneficiado, todo trabalho de arte contribui fortemente para o processo de apreensão de conhecimento, auto-conhecimento e transformação. Para o empreendedor social, o  acesso à cultura se dá por meio do processo de criação. “À medida que o sujeito se depara com situações que exigem uma tomada de decisão, ele começa a refletir sobre aquilo. Desta forma ele se torna o ator social das suas próprias realidades e cenários, e  insere a arte e suas produções em sua vida”, finaliza.

 



 

 
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Comentários > 3 Compartilhe
 

3 Respostas para “Arte-educação na prática: experiências que deram certo”

  1. Reginaldo disse:

    Olá sou coordenador do Conexão Galpão projeto socio-cultural do Galpão Cine Horto BH. E me interessei muito pelo Instituto Arte na Escola. Como consigo mais informações sobre este projeto?

    Obrigado

    Reginaldo

  2. Blog Acesso disse:

    Caro Reginaldo, muito obrigada por acessar o blog e acompanhar nossas notícias.

    Quanto à sua questão, você pode entrar em contato por meio do site: http://www.artenaescola.org.br ou do telefone: (11) 3103.8088.

    E se tiver qualquer outra dúvida ou comentário, estamos à disposição.
    Atenciosamente,
    Equipe blog Acesso

  3. Blog Acesso disse:

    Caro Reginaldo, muito obrigado por acessar o blog e acompanhar nossas notícias.

    Quanto à sua questão, você pode entrar em contato por meio do site: http://www.artenaescola.org.br ou do telefone: (11) 3103.8088.

    E se tiver qualquer outra dúvida ou comentário, estamos à disposição.
    Atenciosamente,
    Equipe blog Acesso

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