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Artigos_01.10

Um modelo de distribuição para a música - ...

Por Blog Acesso

 

crédito: Rogério AlonsoDe graça para o público e remunerado para o artista, patrocinado por uma marca. Eu acredito nesse modelo de distribuição para a música. E ele está vigente desde o final da década de 20 do século passado.

Quando os americanos que viviam fora dos grandes centros ouviram o jazz pela primeira vez através do rádio, não pagaram nada por isso – quem estava viabilizando o programa era a fábrica de biscoitos Nabisco. É assim até hoje. E quando a TV chegou definitivamente na década de 50, abraçou esse mesmo formato. Dá de graça conteúdo (notícias, entretenimento, drama, esporte, música), apoiada por uma determinada empresa ou Estado, caso da BBC inglesa. Bom lembrar: rádio e TV são os dois veículos mais populares do planeta. Se quisermos caminhar um pouco mais e falarmos de jornal, revista e TV a cabo – todos pagos, claro – teremos também a presença dos patrocinadores na história, mesmo se tratando de veículos pagos. Sem as marcas financiando o processo, jornalistas, fotógrafos, diretores de arte e toda cadeia até o rapaz que deixa as publicações ou o que conserta um canal com defeito na sua casa, não poderiam trabalhar.

Chegando aos dias de hoje, tente encontrar alguém que já pagou para usar o Google ou o Youtube, por exemplo. Por que a música não pode adotar esse modelo? Fora a presença revolucionária da internet, não seria algo completamente novo, afinal, o que faria Bach ou os artistas renascentistas sem o mecenato? Além disso, a maior parte da música ouvida no século XX foi (mais uma vez!) de graça. Se cada pessoa que ouviu Thriller, de Michael Jackson, tivesse comprado o disco, ele teria vendido mais de três bilhões de cópias. E ele vendeu “apenas” cem milhões desse álbum.

Antes mesmo da rede digital, se quiséssemos ouvir música grátis, bastava ligar o rádio ou a TV. Podíamos, inclusive, a partir dos anos 60, gravar nossas favoritas em fitas magnéticas virgens. Parece então estabelecido um trato entre produtores artísticos e público: te dou uma amostra de graça e você, se gostar, compra a obra toda. E, no caso, a amostra é a faixa, a canção, o single, o track, o clipe, o mp3; cada um chama de um jeito, mas a verdade é que música é uma paixão, uma obsessão humana há milênios e nunca foi tão ouvida. Em jogos eletrônicos, celulares, tocadores portáteis e computadores, ela permanece uma das nossas maiores audiências e um dos itens mais procurados na internet. Podemos dizer que a música, por conta da leveza (poucos bits) e facilidade do mp3, ajudou a apresentar o www a muita gente.

Já me perguntaram algumas vezes porque as pessoas gostam tanto de música. Razões neurofisiológicas à parte, ouvimos por questões estritamente emocionais. Apenas sentimentos nos ligam a determinada canção e, consequentemente, a algum artista. Baseado nesse comportamento, a Trama criou em 2007 um modelo inédito no mundo chamado Download Remunerado. É simples. No início do mês, depositamos um determinado valor no nosso site e, a cada download feito de graça pelo público, a banda recebe uma quantia em sua conta corrente. Logo depois, em 2008, veio o Álbum Virtual. Dessa vez, o fã poderia baixar não apenas a faixa gratuitamente, mas o disco todo, com capa, ficha técnica, versão para players digitais, clipes, fotos, making of, entrevistas... Ficamos felizes quando, um ano e meio depois, foi apresentado ao mundo o Apple LP, quase idêntico ao nosso Álbum Virtual. A diferença é que o modelo deles é pago e o nosso é grátis. Na versão beta do Álbum Virtual já lançamos 10 obras com apoio de marcas como Volkswagen, Audi e VR e, nesse ano de 2010, em sua versão definitiva, teremos mais quinhentos álbuns. Artistas de vários gêneros como Ed Motta, Tom Zé, Móveis Coloniais de Acaju, Macaco Bong, Caju e Castanha e Cansei de Ser Sexy já utilizaram o formato sem deixar de publicar em outros como vinil, CD e DVD, de modo complementar e não-excludente. Por tudo isso, creio que sempre haverá uma marca disposta a estar presente na relação mágica existente entre música e fã, ajudando a viabilizá-la e participando da construção desse patrimônio emocional através de todos os que quiserem ter acesso livre à arte – música no caso – e, com sua audiência individual, ajudar a sustentar toda a cadeia de produção artística. Sempre de graça pra você e remunerado pro artista.

*João Marcello Bôscoli é fundador e presidente da Trama Music Group

 

 
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3 Respostas para “Um modelo de distribuição para a música – João Marcello Bôscoli*”

  1. É um ponto de vista muito interessante e uma ideia que pode ser a salvação dos artistas que tanto choram desde que a web passou a ser uma ferramenta de compartilhamento, mas, até que ponto a empresa – ou mecenas se preferir – não vai influenciar no processo criativo do artista a ser patrocinado?

  2. Kaika Luiz disse:

    O meio musical anda mundo abalado com a queda nas vendas de CDs comandada pela disseminação da pirataria. Essa forma de distribuição gratuita da música seria sem dúvida o fim dessa prática, que tanto tem enervado os artistas como a Polícia Federal que não consegue conter a venda de CDs e DVDs piratas que se alastra aos montes e a olho vivo. Eu, como produtor cultural, tenho visto muitos artistas aprovarem os seus trabalhos em leis de incentivo, em nível federal ou estadual, e a partir daí “distribuir” os seus trabalhos. As empresas que querem aliar a sua marca a um produto de qualidade e que tem grande aceitação pelo seu público-alvo, deve cada vez mais investir no setor musical, seja através do patrocínio de um CD ou DVD, seja na em apresentações ao vivo (shows). Eu, também como produtor, acredito muito nessa prática e acho que é assim mesmo que deve funcionar. Música gratuita para a população, principalmente a música que tenha a qualidade como temática.

  3. [...] This post was mentioned on Twitter by Lauro Maia. Lauro Maia said: vale a pena ler "um modelo de distribuição para a música", do j. m. bôscoli, no blog acesso: http://is.gd/bq5Sb [...]

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