No final dos anos 20, quando o arquiteto Ramos de Azevedo projetou a chamada Casa das Rosas, localizada na Avenida Paulista, em São Paulo, para ser a moradia de sua filha, Lúcia Ramos de Azevedo, ele provavelmente não imaginava que muitos anos mais tarde ela seria a sede de uma das principais organizações literárias da cidade. Pois foi graças ao tombamento da casa, em 1985, e à sua transformação em espaço cultural que foi possível surgir, em 1995, a Sociedade dos Amigos da Casa das Rosas, que, em 2008, passaria a se chamar Poiesis – Associação dos Amigos da Casa das Rosas, da Língua e da Literatura.
A associação é responsável pela administração e gestão de espaços e projetos culturais da metrópole como a própria Casa das Rosas, o Museu da Língua Portuguesa, a Casa Guilherme de Almeida e o Programa São Paulo: Um Estado de Leitores. Em 2009, de olho nos saraus literários que já aconteciam em São Paulo e não eram do conhecimento da população, a Poiesis tomou a iniciativa de começar a mapear estes eventos. No entanto, os organizadores não tinham noção de que iam encontrar tantas reuniões de poetas, escritores e amantes da literatura.
Batizado de Pontos de Poesia, o projeto teve início em fevereiro deste ano, quando 28 pontos foram cadastrados e divulgados. Além de mapear os saraus da Grande São Paulo, o projeto também tem o objetivo de conhecer o perfil de seus freqüentadores, a construção temática e o histórico de cada local. Com isso, a associação Poiesis pretende também desenvolver outros projetos multiplicadores de incentivo à leitura.
Atualmente, o Pontos de Poesia está em fase de recadastramento. “Já temos até agora mais de 40 pontos mapeados”, conta Rui Mascarenhas, um dos coordenadores do projeto. Em janeiro deve ser lançado o novo mapa da poesia, mas, segundo Mascarenhas, o ideal é que essa atualização seja feita pelo menos três vezes por ano e não apenas uma. “Acontece muito de um ponto ser criado por duas pessoas ou mais. Só que depois elas se separam e abrem saraus em outros lugares da cidade”.
O trabalho de mapeamento é feito de perto, pelo próprio Mascarenhas. Ele, que também é poeta e escritor, vai a todos os saraus da metrópole e da periferia paulista, conversa com os participantes, com o público e tira fotos. Em suas incursões, o coordenador tem descoberto um movimento de artistas sem oportunidade, de baixa escolaridade, com pouco acesso à leitura, mas de talento precioso, especialmente para transpor para suas respectivas produções literárias sua própria realidade. Ou seja: além de colocar comunidades inteiras em contato com a cultura e a leitura, poetas e escritores estimulam o debate e propõem, naturalmente, momentos de reflexão em conjunto.
Além do mapa, que é divulgado por meio de um folheto especialmente projetado para isso, o projeto dos Pontos de Poesia mantem um blog onde são divulgados todos os saraus e outros eventos literários da cidade. E na São Paulo que não para nunca, quase todo dia é dia de poesia. Agora é só escolher o ponto onde você quer ir.
Tags: cultura, democratização, leitura, literatura, livro, poesia, projeto cultural





Carolina, muito obrigado por somar a este movimento que resgata o prazer da leitura, no pretexto dos encontros, dos recitais.
amigos:
estou conhecendo o blog agora. relevante.
um abraço.
romério
ola bom dia, corre tabem nas minhas veias um tiquinho de poesia estou tentando imprimir um livro e gostaria de conhecer o projeto casa as rosas para entrar emmcontato comm outros poetas e trocar imformações. obrigado
Caro Benito,
obrigada por ler o Acesso. Para que tenha mais imformações dos eventos da Casa das Rosas, segue o link do site
http://www.poiesis.org.br/casadasrosas/
Atenciosamente,
equipe blog Acesso