“Somos um povo mesclado por natureza e, dessa mistura, nasceu o frevo com irreverência, força e leveza, respeitando os limites do homem, mas também mostrando a força que o nordestino tem”. São com estas palavras que Anna Miranda, diretora da Escola Municipal de Frevo Maestro Fernando Borges, define a relação do frevo com o povo do Nordeste brasileiro.
A escola é hoje o grande representante da memória desta expressão artística tão característica de Pernambuco. Uma iniciativa da Secretaria de Cultura da Prefeitura Municipal de Recife, a instituição existe desde 1996. Começou atendendo somente alunos da rede pública de ensino, mas hoje qualquer cidadão pode participar do projeto. “A democracia é total”, garante Anna. São 23 turmas com 25 alunos cada, de 5 a 75 anos. A cada semestre, as matrículas são renovadas e quem falta três vezes e não dá justificativa, perde a vaga.
Para que essa representação fosse viável em festas e festivais nos mais diversos eventos do Brasil e no exterior, foi criada a Companhia de Dança da Escola de Frevo Maestro Fernando Borges. Ela é formada por 26 alunos de 15 a 25 anos escolhidos durante uma audição somente feita para isso. Jurados especializados em dança fazem a seleção. Os integrantes da companhia também são beneficiados com oficinas especiais, como a que é dada por um mês pela coreógrafa Débora Colker. A diretora Anna Miranda, que é passista de frevo há 23 anos, é a professora oficial da turma.
De 1996 para cá, a escola de frevo do Recife expandiu suas atividades. Inicialmente eram dadas somente oficinas de sombrinha e de máscaras de carnaval. Com o objetivo de contribuir para a inclusão social e gerar renda por meio da cultura, agora são também dadas aulas de adereços populares, cenografia para espetáculos em teatro ou em rua, confecção de estandartes e bordados em fantasias. Além disso, a educação social é também levada a sério. Os alunos têm aula de saúde bucal, gravidez na adolescência, prevenção contra DST e AIDS, entre outras ações.
Agora em 16 de outubro, a Prefeitura de Recife, em parceria com o Governo do Estado, lançou o projeto de construção do Paço do Frevo. Ele se localizará no antigo prédio da Western Telegraph Company, na Praça do Arsenal da Marinha, em Recife. O edifício, com mais de 1,7 mil m², abrigará uma sala de projeção, um sala de pesquisas e ensaios, uma biblioteca, uma loja, um bar e uma oficina de confecção de figurinos. A ideia é transformar o local, que está desvalorizado, em algo onde haja celebração desse ritmo pernambucano.
O edifício onde se localizará o Paço do Frevo é tombado pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) desde 1998 e faz parte do complexo turístico das cidades de Recife e Olinda.
Para o projeto, a ideia é que haja um investimento de R$ 8,7 milhões somente para a construção do espaço. O início das obras está previsto para o início de janeiro de 2010, sendo que o ideal é que o ele seja entregue à população em 2011.
Segundo Anna Miranda, a busca pelo frevo na cidade é crescente. “Há fila de espera porque todos querem dançar frevo”, conta, empolgada. E garante: “Em Pernambuco é orgulho saber dançar a nossa dança e, dessa forma, divulgá-la enquanto patrimônio nosso”. E é interessante observar como, enquanto cultura popular, o frevo se modifica e evolui. “Não somos estáticos, somos populares e, como povo criativo, as mudanças acontecem dia após dia”, ressalta a diretora. Ela também finaliza: “Só que o estudo tem que ser constante, para que não percamos de vista a nossa história. Ela é fundamental”.
Confira abaixo um vídeo do dia do lançamento do projeto que reconstruirá o prédio da Western Telegraph Company, que abrigará o Paço do Frevo em Recife (PE):
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Gostaria de expressar minha indignação pelo fato de não haver na matéria nenhuma referência ao Mestre Nascimento do Passo, (recém falecido, em setembro de 2009). Realmente é lamentável notar o descaso flagrante ao omitir o nome do maior responsável pela divulgação do frevo. Nem ao menos foi citado o antigo nome da Escola Municipal de Frevo que levava o nome do Mestre.