31

Notícias_07.09

Música volta a ser obrigatória no currícul...

Por Blog Acesso

 

A partir de 2011, segundo a lei nº 11.769, a música vai voltar às salas de aula no Brasil. Estudantes do primeiro ao nono ano deverão entrar em contato com a teoria e a prática de transformar sons em arte. Com isso, é recuperada uma disciplina que já foi muito importante no currículo brasileiro até 1956.


Afinal, é público e notório que a canção popular é a mais reconhecida das artes do Brasil, dentro e fora do País. As melodias e a batida da Bossa Nova e o forte impacto da Tropicália são influentes na produção cultural em todo planeta. Mas parece que o sistema educacional brasileiro não mais considerava esse potencial educacional do trabalho com ritmos e melodias.


Para o compositor Felipe Radicetti, coordenador nacional da campanha “Quero Educação Musical na Escola”, “a música cumpre um papel mediador das relações sociais e promove o desenvolvimento afetivo das crianças, além disso pode ser usada como um elemento agregador nas outras disciplinas”.  E completa: “A educação musical nas escolas tem uma função muito ampla, mas não é a de formar músicos. Ela desenvolve a escuta e portanto atua diretamente sobre a qualidade de fruição da música”.


A opinião também é dividida por Cleide Salgado, que desenvolve o projeto Música nas Escolas, em Barra Mansa, no Rio de Janeiro. A iniciativa foi criada em 2003 e mais de cinco mil crianças já foram ou estão sendo formadas. Alguns hoje até integram a Orquestra Sinfônica da Cidade, a Banda Sinfônica, a Banda da Cidade e a Drum Lata. “Independente de formar músicos ou não, o aprendizado de música nas salas de aula ensina concentração, disciplina , o desenvolvimento do trabalho em grupo e leva a cultura para toda a família”, diz Cleide.


Segundo ela, desde que 72 escolas da rede pública de Barra Mansa adotaram a música na grade curricular, a cidade reforçou seus laços com a cultura. “As apresentações da Orquestra Sinfônica de Barra Mansa se tornaram um grande evento popular. É comum também encontrar meninos com seus instrumentos nos ônibus da cidade”.


Para Cleide, o mais importante é que a música faça parte do currículo sem se descuidar das outras práticas artísticas. “O envolvimento com a arte é fundamental na formação de qualquer pessoa, mas eu acho que a escola tem que dar opção para o estudante. Tem que estimular o seu desenvolvimento na área em que ele mais tem aptidão”, defende.


Foi o movimento “Quero Educação Musical na Escola” , do qual Felipe Radicetti faz parte, que retomou o debate da reinserção da música no currículo escolar. Agora com o projeto sancionado, o compositor acredita que “a campanha teve o objetivo de democratizar o acesso a essa educação tão importante a todos os brasileiros”.


Segundo ele, o próximo passo é “implementar a educação musical nas escolas plenamente, tal como nos países desenvolvidos. As dificuldades da educação no Brasil são generalizadas e os nossos números são um escândalo. Estamos tão acostumados com eles, que chegam até a nos parecer aceitáveis”.


As escolas de música, músicos e instituições ligadas à educação começam a pensar como pode ser esse currículo. Uma das iniciativas para debater o assunto é da revista Carta na Escola. O “Seminário Música nas Escolas” irá reunir músicos e educadores no dia 17 de agosto para discutir algumas propostas sobre o ensino de música. Pode ser também um bom momento para se debater o papel da cultura na educação dos brasileiros.

 


 

 

 
1 Star2 Stars3 Stars4 Stars5 Stars
Loading ... Loading ...
Comentários > 15 Compartilhe
 

15 Respostas para “Música volta a ser obrigatória no currículo escolar. E agora?”

  1. Villa-Lobos ficaria extremamente feliz se pudesse vislumbrar essa nova realidade que esperamos realmente se concretizar oficialmente com a volta do ensino obrigatório de música nas escolas.
    Como membro do Quarteto Radamés Gnattali, tenho observado e vivenciado a grande carência em continuarmos levando a música às escolas. Desde nosso primeiro momento nas primeiras 5 cidades piauienses, vimos e mais uma vez comprovamos não somente que a música tem ação grandemente educadora, mas também social e construtora de cidadãos cada vez melhores.
    Esse legado deixado por Villa, o Guia Prático, tem sido nossa principal e atual ferramenta de trabalho. Que grande visão teve nosso compositor maior!
    Bravo Grupo Votorantim por nos dar essa oportunidade ímpar de colocarmos um projeto de importância incontestável em circulação nesses rincões brasileiros.
    A educação e cultura brasileiras agradecem e aplaudem de pé iniciativas brilhantes como essa!

    Fernando Thebaldi (violista do Quarteto Radamés Gnattali com o Projeto Concertos Didáticos Votorantim – Piauí, Acre e Mato Grosso)

  2. Carla Rincon disse:

    A educacao musical escolar e elementar na formacao de um pais educado e culto.
    Se essa educacao musical se inicia atraves das exprecoes folkloricas e autoctonas da nacao e melhor ainda, pois o resultado e: cidadaos conhecedores da sua historia, cidadaoes batalhadores da cultura e do trabalho social.
    No final e tudo de bom!!
    Para bens pra a Votorantim por construir esta ponte,este caminho de melhoras pra os brasileiros e o mundo!

  3. Gabriel Moron disse:

    É importante ver que uma disciplina que, no caso dos jovens da periferia, era oferecida somente por organizações da sociedade civil, seja agora também parte da grade curricular brasileira. Isso faz com que aumentemos o contato deles com a música, favorecendo o desenvolvimento não só de músicos, mas também de cidadãos musicais. Aqui no Projeto Casulo iniciamos recentemente mais um projeto ligado à musica por conta de uma demanda apresentada pelos jovens, o que mostra como eles estão abertos à essa experiência.

  4. Fabiana Costa disse:

    Olá, pessoal!

    Sou Fabiana Costa, sócia-diretora da Baluarte Agência. Juntamente com o Quarteto Radamés Gnattali, a Baluarte Agência está desenvolvendo esse ano, com apoio cultural do Instituto Votorantim e patrocínio do Banco Votorantim e da Votorantim Cimentos através da Lei Rouanet de incentivo à cultura, o Projeto “Concertos Didáticos – Quarteto Radamés Gnattali” em escolas da rede pública de ensino dos estados do Acre, Mato Grosso e Piauí.

    Este projeto tem em seus objetivos principais apoiar e estimular a prática de ensino musical nas escolas, possibilitar o contato de jovens e adolescentes com a música erudita (estética musical muitas vezes distante de suas realidades) e trabalhar pela formação de platéia.

    Para nortear este trabalho adaptamos o material de ensino daquele que foi o precursor do ensino musical nas escolas, Villa-Lobos. Com uma adaptação bastante atual e dinâmica do “Guia Prático” de Villa-Lobos para ensino musical nas escolas, trabalhamos com uma formação bastante erudita, um quarteto de cordas (violinos, viola e viloncelo), melodias do cancionário popular coletados por Villa-Lobos em suas viagens pelo Brasil, como forma de aproximar os jovens desta estética musical, uma vez que as reconhecem como bastante familiares.

    Trata-se de um concerto muito dinâmico e interativo e as respostas dos alunos aos concertos são sempre muito impressionantes. A meta de fazer os jovens perceber que esta produção musical, chamada “erudita”, pertence a eles, pertence a todos, é brasileira, é de fato atingida ao fim do concerto.

    Durante as apresentações atendemos cerca de 250 a 400 alunos por município, só no Piauí foram mais de 1.200 alunos e, em nenhum dos municípios atendidos tivemos problemas de discipina durante a apresentação, ao contrário, o interesse, a vontade de estar ali assitindo, muitas vezes pela primeira vez a uma apresentação como aquela, era latente em todos os presentes. Alguns alunos são levados às lágrimas e os agradecimentos ao final das apresentações são sempre numerosos.

    Como forma de medir a percepção e o entendimento que os alunos têm das apresentações, aplicamos questionários junto a alunos e professores e deixamos sempre espaço para que eles possam escrever livremente o que acharam da apresentação. Só para citar um desses exemplos, Manu Andrade, 16 anos, afirma: “Aqui em Barras (PI) nunca houve algo que me fizesse arrepiar. Ao ouvir o quarteto ,fiquei encantada com a sincronia perfeita. Sentir o nosso folclore através de faixas produzidas por TUHU, foi 1 sensação inesquecível!!!!!!!!!! Como eles falaram foi só 1 semente plantada,agora eu vou cultivá-la e colher frutos…”

    As respostas são muito emocionantes e algumas podem ser conferidas no blog do projeto: http://www.concertos-didáticos.blogspot.com. Fato é que a vontade de aprender mais sobre a cultura nacional é facilmente perceptível durante a execução de nosso projeto, o que nos faz apoiar ainda mais a lei aprovada e lutar para seu total cumprimento.

    Com uma estratégia de comunicação especialmente voltada para o público, com um personagem jovem, o TUHU, apresentando o projeto, com um Blog, Twitter e orkut do Tuhu, continuamos nosso contato com os estudantes e nos colocamos à disposição para esclarecer dúvidas e dialogar sobre a música brasileira.

    Bem, as experiência são inúmeras, a vontade de contar mais é também grande. Quem sabe em outra oportunidade escrevo um pouco mais detalhando as ações e resultados do projeto… Estamos agora planejando a ampliação do projeto para outros estados também fora do grande eixo de produção cultural do Brasil (também Maranhão e Tocantins) de forma a dar a outros alunos oportunidade de contato com parte da rica produção musical que, como disse anteriormente, é de todos nós!

    Para aqueles que queiram conhecer o projeto um pouco mais, acessem nosso Blog: http://www.concertos didáticos.blogspot.com. Disponibilizo meu e-mail também para informações que, por ventura, não estejam lá: fabiana@baluarteagencia.com.br

    Obrigada a todos os parceiros que acreditam neste projeto tão especial e continuemos a lutar em prol da plena cidadania cultural.

    Fabiana Costa
    Baluarte Agência de Projetos Culturais

  5. Fabiana Costa disse:

    Segundo Marilena Chauí, a Cidadania Cultural é ” o exercício do direito à cultura dos cidadãos ao entrar em conflito, comunicar, trocar suas experiências, recusar formas de cultura, criar formas de cultura, enfim, mover o processo cultural.”
    É exatamente isso que leis como esta, se forem realmente aplicadas e levadas a sério, estão buscando promover.

  6. Obrigada por este post, que bate numa tecla super necessária a quem trabalha com educação musical. Faço a assessoria de imprensa do projeto ‘Concertos Didáticos – Quarteto Radamés Gnattali’ e, no momento, tenho conversado com editores e repórteres de todas as revistas de educação do país para que escrevam matérias sobre o tema, usando como gancho a experiência do quarteto. Dedos cruzados!

    O que mais posso dizer? Bem, como também produzo o conteúdo do blog (http://concertosdidaticos.blogspot.com), vibro muito com as notícias que chegam de cada apresentação (até agora, os músicos levaram a obra de Villa-Lobos e do cancioneiro popular aos estudantes do Piauí e do Acre) e me emociono com as fotos daquelas crianças e adolescentes descobrindo a própria musicalidade de uma maneira inédita. É muito bonito fazer parte de um projeto tão consistente e bem realizado. Boa sorte para todos nós e que venham novas edições!

  7. João Carlos Martins disse:

    A volta da música nas escolas sem dúvida alguma lembra-me o filme “Em Algum Lugar do Passado”, pois era um sonho de Villa-Lobos, o qual infelizmente foi abandonado, se não me falha a memória, durante o regime militar. Lembra-me também o filme “De Volta Para o Futuro”, pois dessa vez tenho certeza que a educação musical chegará às escolas e nunca mais será afastada do currículo.
    Em países asiáticos a música já está como a primeira no segmento que se refere à inclusão social e, pessoalmente, nestes últimos três anos tenho observado isso nas minhas incursões na periferia de São Paulo, através Projeto Toca Atitude.
    Certamente através dessa prática o Brasil terá mais oportunidades para detectar vocações e para formação de novos públicos, e finalmente, posso afirmar que a música ajuda criar o espírito de cidadania.

    Maestro João Carlos Martins

  8. João Titton disse:

    Como todos nós já sabemos a função da musica no ensino fundamental transcende o simples ensino de um instrumento ou capacitação musical do jovem e da criança. Neste momento, em que estamos oportunizando o acesso a atividades musicais nas escolas, a partir de 2011, através da lei nº 11.769, também estamos incrementando, sofisticando e ampliando o campo das relações interpessoais.

    Proporcionar o desenvolvimento da paixão, auto-estima, motricidade, atenção, disciplina e satisfação de realizar, através de processos de aprendizado por meio de um instrumento musical ou do canto, interpretar e criar arte, pela sua própria competência.

    Também como uma ferramenta pedagógica onde as disciplinas podem se encontrar! (famosa interdisciplinaridade) História, geografia, matemática…
    Estas são ações que proporcionarão a este país uma nova geração de cidadãos, responsáveis, participativos e, é claro, mais felizes.

    João Eduardo Titton
    Coordenador Projeto Planeta Música.
    Orquestra de Cordas Catarinense
    Projeto patrocinado pela Fundação Votorantin

  9. gessica monteiro disse:

    eu queria ver todas as escola

  10. GUSTAVO MATOS disse:

    Eu sou musico e estou me formando em pedagogia,eu trabalho com musica nos estagios que ja fiz e faço,e notei que as crianças desenvolvem mais atenção, disciplina, e criatividade,com pouco tempo de trabalho musical,se isso se manter as crianças do nosso pais se desenvolverão mais intelectualmente e disciplinarmente tanto na escola como depois na sua formação,e nas demais coisas que envolvem a musicalidade,na matemática, e outras materias e coisas que envolvem o raciocínio,acho bom que tenham aprovado essa lei.

  11. Maria Angela Pires disse:

    Venho lutando por isso desde 1988 quando ingressei como professora de Arte em escolas estaduais de SP. Sou formada em piano , já trabalhei com vários tipos de iniciação musical e realmente os resultados são evidentes : aumenta a auto-estima, coordenação motora, desinibição, equilíbrio emocional, reina a paz e a alegria no ambiente, desenvolve o raciocínio, melhora a sensibilidade… e uma infinidade de pontos a atingir de pessoa para pessoa. ATÉ QUE ENFIM TEREMOS MÚSICA NAS ESCOLAS EM 2011. Me aposentei este ano e estou voltando a trabalhar com música intensamente. meu email para contato : mangelapirespiano@gmail.com . Abraços musicais !

  12. Lucas Leão disse:

    Olá amigos!!!

    Sou uma pessoa de 24 anos que sempre teve prazer em viver com a música.Depois de muito tentar, sempre tive que correr atrás do meu sustento através de profissões que não me realizavam.
    BEM hoje ainda sou vendedor, me sustento assim, mas estou ingressando num curso de musica licenciatura.Então tenho o meu sonho se realizando, junto á de tantos brasileiros, que almejam um mundo melhor, com crianças, adultos, jovens e idosos de paz e felicidade!

  13. Benjamim Siqueira disse:

    muito bom! enchegar a grande contribuição que música pode trazer para a qualidade de vida dos alunos!

  14. Margarete da Silveira Antonelo disse:

    Boa Tarde!
    Gostaria de saber onde posso encontrar uma escola que tenha música no curriculo, estou fazendo um trabalho de conclusão e não estou conseguindo achar uma escola que me dê suporte prático para minhas colocações.
    Sou da cidade de Taquara, e minha região o vale do paranhâna, tem muitas cidades próximas, como Parobé, Sapiranga, Nova Hartz, e região metropolitana como Cachoeirinha, Gravatai, Canoas além da Capital Porto Alegre.

    agradeceria muito as dicas!
    Abraços
    Margarete

Deixe uma resposta